Nos últimos anos, o futebol português se tornou uma fonte importante de observação para os clubes brasileiros, não só para a busca de treinadores que ofereçam uma alternativa ao mercado nacional, mas também para caçar reforços. E no Braga, atual segundo colocado da liga lusa, há um brasuca que conhece bem a realidade local: o meia Fransérgio, capitão da equipe, que atua em Portugal há oito anos. O ex- atleta de Internacional e Athletico-PR pôde trabalhar, por exemplo, com Abel Ferreira, hoje sensação no Brasil por seu trabalho no Palmeiras.
O sucesso de Abel não é surpresa para Fransérgio, que esteve sob o comando do treinador durante duas temporadas e foi contratado a pedido do atual campeão da Copa Libertadores e da Copa do Brasi, em 2017l. O brasileiro afirma que se tornou um admirador da metodologia utilizada pelo treinador ao estudar os adversários.
"Até brinco com ele, quando falo, que ele não é treinador, que ele é um estudioso da bola. Porque o que ele fazia conosco ele faz com o Palmeiras também, ele pega o adversário, estuda profundamente, e chega para nós dizendo "Vamos por esse caminho, vamos atacar aqui, defender por ali". Quando fui me despedir dele, quando ele saiu, falei isso, que ele é um estudioso da bola. A maneira que ele passa informações é um espetáculo, você vai para o jogo sabendo tudo, sem dúvida nenhuma", lembra o meia.
Fransérgio afirma que sempre acreditou que Abel poderia chegar a outro nível e que a gestão do elenco é um diferencial para os treinadores brasileiros, citando o caso de Gustavo Scarpa, que passou a ter mais espaço com o português e voltou a ser importante no Palmeiras. O brasileiro enxerga algumas semelhanças entre o estilo de Abel Ferreira e o de Carlos Carvalhal, seu atual comandante no Braga.
Carvalhal foi alvo do futebol brasileiro, sendo uma das opções estudadas pelo Flamengo ano passado, mas preferiu seguir em Portugal, deixando o Rio Ave para ir ao Braga. E vem brilhando no clube na atual temporada, mantendo o Braga na segunda colocação do Campeonato Português, à frente do Porto e do Benfica de Jorge Jesus. Fransérgio acredita que o dedo do técnico é importante para a boa fase.
"Ele é outro mister que tem esse raciocínio de colocar todos para jogar, um elenco reduzido, dar oportunidades para todos. Sem dúvida (teria futuro no Brasil). É um treinador que iria dar certo, até porque está dando certo aqui no Braga. Ele chegou e mudou a metodologia do clube", exalta.
Fransérgio também aposta no sucesso de outro ex-companheiro de trabalho no futebol brasileiro: o zagueiro Bruno Viana, que foi contratado pelo Flamengo no começo do ano. O meia atuou ao lado de Bruno durante três temporadas e aponta que o jogador pode ser um reforço importante em uma equipe de alta exigência técnica, como o atual campeão brasileiro.
"Ele é um cara muito técnico, tem um bom passe, uma boa saída de bola. Vai dar uma fluidez no Flamengo. Mas também tem raça. É um jogador que se tem uma expectativa muito grande, porque ele foi para um bom clube no Brasil, mas alguns times italianos queriam ele, até ingleses também."
Ao enxergar um colega ir direto da Europa para o futebol brasileiro, o meia de 30 anos admite que este caminho também o interessa nos próximos passos na carreira. Fransérgio deixou o Brasil para jogar no Marítimo em 2013 e, desde então, seguiu na liga portuguesa, atuando quatro anos no clube, antes de ir para o Braga, onde está desde 2017. A saudade da terra natal hoje aperta, sendo potencializada em meio à pandemia.
"Hoje o que eu converso com minha esposa é que eu estaria preparado para voltar ao Brasil. Estou aqui há sete anos e muitas vezes pesa a distância dos familiares, do Brasil. Aqui somos eu, minha esposa e dois filhos, não tem muita proximidade. É a rotina casa, treino, jogos, no Brasil teria familiares mais próximos. O Bruno acho que fez a escolha certa, agiu um pouco com o coração e a saudade. Eu também se tivesse a oportunidade de voltar para o Brasil, voltaria", garante.
Mas, hoje, a cabeça de Fransérgio está do outro lado do Atlântico, mais precisamente na reta final de uma temporada promissora para o Braga. A equipe, além de estar na segunda colocação da liga, garantiu uma vaga na final da Taça de Portugal e pode finalizar 2020/21 com uma vaga na Liga dos Campeões e um troféu na galeria.
Neste momento, sonhar com o título português é uma missão complicada para o Braga, que tem nove pontos de desvantagem para o líder Sporting. O brasileiro afirma o time tenta pensar jogo a jogo, uma vez que conquistar uma das três vagas para a próxima Champions não é missão simples: o time tem apenas um ponto de vantagem para o Porto e quatro para o Benfica.
"Um dos maiores objetivos hoje do Braga é estar na Champions, e se acabasse o campeonato hoje, isso seria possível. Temos que sonhar, lutar, conseguir essa vaga. Achamos que seria possível porque na temporada passada terminamos em terceiro, ganhamos do Porto, entramos direto na Liga Europa, onde estamos com uma certa tradição. Mas a Liga Europa hoje já está ficando pequena. O Braga quer estar na Champions, e temos tudo a nosso favor", analisa.
A boa temporada do Braga já teve um vice-campeonato na Taça da Liga de Portugal, com uma derrota para o Sporting na decisão, além de uma eliminação para a Roma na fase de 16 avos de final da Liga Europa. O desempenho pode ser coroado com um título na Taça de Portugal diante do Benfica, que tem o torneio como única chance de título na temporada de retorno de Jorge Jesus. Mas ainda há um grande tempo de espera até a final, que só será disputada em maio.
Capitão da equipe, Fransérgio tenta auxiliar o vestiário no momento de ansiedade, que ainda inclui 12 rodadas decisivas da liga em disputa. E conta com o auxílio dos outros jogadores que dividem a braçadeira, imaginando um possível momento de levantar o troféu.
"A gente faz um rodízio com a faixa, é até tranquilo ser capitão, porque nossos atletas são muito focados. Dividindo essa responsabilidade, fica fácil. Na primeira vez, foi o Mister Abel que me surpreendeu me dando a faixa em um amistoso, e ai no segundo ano virei um dos capitães. Esses dias eu fiquei pensando nisso, porque na semifinal da Taça da Liga, o capitão em campo era eu, já que o Wilson Eduardo estava no banco. Mas sou da época da hierarquia, e se formos campeões, penso em dar (a chance de levantar o troféu) para o Matheus, goleiro que está no clube há oito anos. Ele também é um dos capitães, então eu passaria para ele, que tem mais tempo de casa do que todos nós".
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