5/8/2022 10:00

Quais pontos a CBF tenta melhorar nos árbitros para o resto da temporada

Quais pontos a CBF tenta melhorar nos árbitros para o resto da temporada

Wilson Seneme, presidente da comissão de arbitragem da CBF
Imagem: Thais Magalhães/CBF


Foi uma semana diferente para os principais árbitros brasileiros. Às 9h de uma terça-feira, dois grupos se dividiram entre o calor de uma manhã no campo e o ar-condicionado de uma das salas do Centro de Excelência da Arbitragem, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. É um momento de autocrítica, cursos e treinamentos práticos.



Ali estão árbitros centrais, assistentes e árbitros de vídeo. Na sala, todos se tornam alunos. Sentados dois a dois em carteiras e uniformizados, ouvem palestras, assistem a vídeos de situações das Séries A e B e compartilham as próprias experiências. A mensagem dos instrutores já nas primeiras horas da manhã é clara:


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"Os jogadores precisam entender quais são os nossos critérios. Eles precisam saber que nós vamos tomar atitude e qual atitude vamos tomar".

Há uma abordagem intencional por parte da comissão de arbitragem, presidida por Wilson Seneme. Dias antes, em reunião com os clubes, ele admitiu que há equívocos de arbitragem "inaceitáveis". Entre eles, relacionados ao VAR. Há pelo menos duas referências negativas. Uma é a linha bisonhamente traçada na anulação de um gol do Cruzeiro contra o Ituano, na Série B. A outra é o esquecimento de checagem de impedimento antes do pênalti a favor do São Paulo, que levou o duelo contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, para as penalidades. O tricolor passou de fase.

"Há pontos do sistema VAR, seja de linha virtual ou falha de procedimento, que não podem ocorrer mais. Isso faz com que a arbitragem perca a credibilidade", disse Seneme, ao UOL Esporte.

A intertemporada da arbitragem tenta corrigir os aspectos do VAR, assim como estabelecer melhor os critérios aplicados em campo — algo que também foi motivo de reclamação dos dirigentes. "Critério em vários sentidos", nas palavras de Seneme.

"O que é falta e o que não é, bola na mão? como o árbitro conduz um jogo e a diferença para o outro. A gente tem que trabalhar no sentido de aproximar o critério. A individualidade vai ocorrer, não tem como transformar uma pessoa em outra. Mas que eles tenham a preocupação de seguir as instruções que a gente passa", afirma o chefe dos árbitros, contratado em abril e que em junho montou sua equipe.

O momento de correção exige algumas palavras mais duras. E não importa se o árbitro em questão tem escudo Fifa e já esteve em Copa do Mundo. Seneme, inclusive, foi a campo comandar o treino, com situações de jogo simuladas por times sub-16. O jogo foi filmado para que o trabalho proporcionasse ação também para os que são árbitros de vídeo. Todos estão sob escrutínio.

"Um dos pontos que eu identifiquei na minha chegada foi a dificuldade dos árbitros de seguir uma disciplina de instrução. Os árbitros brasileiros têm essa dificuldade. Eles escutam, aprendem, mas na hora que começa o jogo, eles vão para o instinto natural. Eles precisam colocar em prática a estratégia definida antes do jogo. É um exercício mental de disciplina", aponta Seneme.

Controle de jogo e das disputas
No Centro de Excelência, que virou quartel-general da arbitragem, duas duplas se alternam em treinamentos práticos no VAR, enquanto a maioria está na sala de aula. Aquelas cabines são usadas nos jogos em que o árbitro de vídeo funciona remotamente, conectado aos estádios via fibra óptica. Na turma da terça de manhã, há alguns que foram punidos recentemente pela comissão de arbitragem, como Rafael Traci (VAR no Internacional x Botafogo) e Pathrice Maia (autor da linha errada no gol anulado do Cruzeiro).

Na sala em que o ar-condicionado gela mais, o tema da primeira palestra foi controle de jogo. Cenas de lances quentes, empurra-empurra e discussões de campo foram trazidas à tona pelo instrutor Giuliano Bozzano, que se alternou na explanação com Roberto Perassi. A ordem é não se omitir, mesmo que haja situações de tom mais elevado nos minutos iniciais da partida.

"Se o jogador cometeu uma infração disciplinar, o problema é seu ou é dele?"

O ambiente permite uma interação entre os próprios árbitros. Um assistente experiente pediu a palavra e comentou:

Jogador é uma criança com quem você diz: 'Olha a tomada aí, não coloca o dedo'. Mas vai falar quantas vezes?"

A palestra naquele dia teve também como tema o controle adequado das disputas dentro de campo, tanto nas entradas com os pés quanto nas situações em que jogadores usam os braços.

"Os jogadores são danados. Eles estão percebendo uma aceitabilidade da disputa e trabalham no limite", alerta um dos instrutores, atentando para entradas por trás que são toleradas pela arbitragem:

É para a gente despertar. Não vai sair dando cartão vermelho que nem louco por aí".

Os árbitros já sabem e se incomodam com o comportamento dos goleiros. Cair, pedir atendimento e fazer cera está na moda. Uma abordagem de Raphael Claus com Fábio, no Fortaleza x Fluminense, foi usada como exemplo positivo. No papo, Claus chegou a constranger o goleiro do Flu, que, pelo visto, estava simulando uma lesão.

"Quando vocês estão perdendo, vocês não querem que os caras façam isso. Mas vocês fazem. Isso é muito ruim", disse o árbitro no campo.

Fábio não caiu mais no gramado naquele dia.

A pressão que vem de fora
Embora reconheça a necessidade de mudanças, Seneme vê a arbitragem envolvida em uma disputa de narrativa feita pelos clubes. Dirigentes têm reclamado com frequência. O Atlético-MG, Sérgio Coelho, por exemplo, chegou a dizer que "Seneme está no lugar errado" e que "o cargo não condiz com sua postura".

"O ambiente não pode estar contaminado. Porque existe uma estratégia clara de muitos clubes de fazer guerra fora do campo. E não é só uma guerra com a arbitragem. É tudo. De investimento, de força, poder. Os árbitros têm que se afastar disso", disse o presidente da comissão de arbitragem.

Para quem está no olho do furacão — os próprios árbitros —, a sensação é que a onda de reclamações veio até mais cedo em 2022. Mas ter que lidar com essa pressão passa longe do ineditismo.

"A gente acaba se acostumando com essa pressão. Neste ano, aconteceu um pouco antes. Acho que pelo equilíbrio da competição. A gente sofre muito com o erro. Você não vai para casa tranquilo. A gente depende de ir bem no jogo para ter continuidade, o respaldo das equipes. Ser árbitro é difícil, o futebol brasileiro é difícil. Árbitro tem que ter autoconfiança", afirmou Flávio Rodrigues de Souza, paulista integrante do quadro da Fifa.



Depois de um turno na sala e outro no campo, os árbitros tiveram mais um dia de discussões em grupo até a conclusão do período juntos para aquela turma. Os planos de Seneme é que quinzenalmente alguns sejam chamados para o mesmo ambiente e façam treinos regulares para que o desempenho geral melhore.

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462 visitas - Fonte: Uol


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