Dorival apostou alto e se deu bem. Correu riscos, a meu ver desnecessários, ao escalar vários titulares contra o Santos, a quatro dias da partida mais importante do Flamengo na temporada, mas viu seu time misto jogar bem e vencer outra vez no Brasileiro, sem que nenhum de seus principais jogadores se machucasse. Melhor impossível.
Independentemente do pênalti não marcado de Matheusinho, que antecedeu ao gol de Pedro, o que interessou ao rubro-negro carioca foi ver sua equipe jogar desenvolta, dominando completamente o adversário e obrigando o excelente goleiro santista a fazer cinco grandes defesas, somente no primeiro tempo, em conclusões de Marinho, Cebolinha, Victor Hugo, Pulgar e David Luiz, em cobrança de falta.
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O resultado era o que menos contava. Desde que conquistou a Copa do Brasil, ao Fla pouco importa o Brasileiro. Muito mais importante que a vitória foi ver as boas atuações de Pulgar (que pode ser peça valiosa, caso Thiago Maia e Arturo Vidal, que não estão fisicamente 100%, tenham problemas na final), de Cebolinha (cada vez mais confiante), de Ayrton Lucas (lateral que pode ser opção importante a Felipe Luís) e do menino Matheus França (talento puro, que se consolida a cada jogo).
Com Éverton Ribeiro inteiro, Pedro sempre artilheiro, David Luiz jogando uma barbaridade, Gabriel se mostrando um garçom de primeira e Arrascaeta, mesmo sem estar em sua melhor forma física, sendo capaz de desfilar todo o seu talento e frieza no golaço que marcou, o Flamengo tem motivos de sobra para viajar para Guayaquil otimista e confiante.
A conquista da Copa do Brasil parece ter dado ao grupo a leveza necessária para lutar pelo tricampeonato continental sem demasiada pressão. É ilusório, entretanto, achar que o mau momento do Athletico Paranaense, desde que eliminou o Palmeiras, indique uma final tranquila para o Flamengo. Historicamente, decisão de título intercontinental nunca é fácil. Ainda mais quando o adversário é dirigido por Luiz Felipe Scolari, uma velha raposa que já conquistou a competição duas vezes.
Dorival saiu do Maracanã de alma leve e vitorioso em sua aposta. Mas para terminar a temporada consagrado, precisa levantar a taça no Equador. Seu excepcional trabalho até agora—principalmente quando se lembra do gigantesco desastre que foi seu antecessor —somente será reconhecido se vier o tricampeonato da Libertadores. Assim é o futebol.
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