Jorge Jesus, técnico do Fenerbahce, é eliminado da fase prévia da Liga dos Campeões
Imagem: Burak Kara/Getty Images
Com a saída de Tite e a ausência de uma unanimidade, como era o ex-treinador da CBF, então no Corinthians, em 2016, a pergunta de milhões de dólares é: qual o nome ideal para comandar a seleção cinco vezes campeã do mundo?
Bem, pela histeria coletiva depois de mais uma eliminação, a única resposta possível é: aquele que ganhar a Copa em 2026.
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Simples, não? Nenhum debate sobre estilo, metodologia, linha de trabalho...Ganhar eliminatórias e Copa América não basta, tem que ir aos Estados Unidos daqui a quatro anos e trazer o hexa. Se conseguir, missão cumprida. Se falhar é um fracasso completo.
E no meio do processo será execrado a cada convocação. Porque no mundo ideal do torcedor mimado o treinador tem que convocar cinco ou seis do time de coração, para ele inflar o ego e se gabar nas redes sociais, e depois desconvocá-los para não desfalcar na rodada do Brasileiro. Nem que seja aquela, "marota" um dia depois do final da data FIFA, em que os jogadores nunca chegam a tempo de entrar em campo.
Ainda assim, muitos profissionais no Brasil e no mundo aceitariam essa missão, pela qualidade do jogador brasileiro e pela mística da camisa verde e amarela.
Um deles já declarou isso abertamente: Jorge Jesus. Tem contrato com o Fenerbahce até o meio de 2023, mas já mostrou que romper compromissos não é exatamente um obstáculo.
O português encaixa bem no pensamento mágico de muitos brasileiros: se ganhou quase tudo no Flamengo em 2019/20, pode vencer também na seleção.
Até pode, mas teria dois grandes problemas para resolver. Na verdade três, embora um seja óbvio: a falta de experiência como selecionador.
O segundo seria a ausência do dia-a-dia de treinos e jogos. Jorge Jesus gosta de campo e bola, no Flamengo trabalhava até nos dias das partidas. Na seleção seria um treinador de escritório, hotel e avião na maior parte do tempo.
Imagine a energia represada de uma pessoa elétrica quando, enfim, tivesse contato com os convocados. Além disso, ele conseguiria trabalhar seus conceitos apenas com curtos encontros mensais? Uma grande incógnita.
O outro seria a gestão de grupo. Agora, no calor da derrota, muitos podem pensar que os jogadores precisam mesmo é de alguém linha dura para oprimi-los. Mas não é assim que funciona.
Jorge Jesus é bom treinador, mas não de primeira prateleira no futebol mundial. Imagine um atleta que é orientado com respeito e até carinho pelo multicampeão Carlo Ancelotti no Real Madrid sendo tratado "com casca e tudo" por Jesus, que não tem um terço dos títulos relevantes do italiano.
O estilo "cala a boca e joga" não deu certo no Benfica, com o técnico sendo demitido por conta de um "motim" dos atletas após um desentendimento com o capitão Pizzi. Veteranos como José Mourinho, Fabio Capello, Marcelo Bielsa, Felipão e Vanderlei Luxemburgo já falaram das diferenças na maneira de gerir elencos hoje e no passado. Os jogadores querem um treinador, não um pai que reprime ou dá carinho de acordo com o humor do dia.
Pode dar certo? Se no final conquistar o título mundial, sim. E indo para 24 anos de jejum, como de 1970 a 1994, é só o resultado que importa mesmo. Jorge Jesus virou messias no Flamengo com cinco títulos e quatro derrotas. Agora "só" precisa de uma taça e 100% de aproveitamento nos "States". Quem sabe?
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