Pep Guardiola, desde o início de sua carreira de sucesso, tem adotado a prática de manter um elenco reduzido como um dos pilares de sua gestão. Essa abordagem visa evitar frustrações entre os jogadores que podem se sentir menospreciados devido à falta de oportunidades. O ideal, segundo Guardiola, é ter dois altos competidores por posição, complementados por jovens talentos. Nesse contexto, o Flamengo está alinhando seu planejamento para 2026, seguindo uma filosofia semelhante, com foco em um grupo de "22 titulares", menos extenso do que o da temporada anterior.
As movimentações iniciais do Rubro-Negro no mercado de transferências demonstram essa nova perspectiva liderada por Filipe Luís e José Boto. O objetivo é negociar jogadores considerados "excedentes" e reforçar as posições em que há uma disparidade significativa entre o nível dos titulares e reservas. Dessa forma, além de se desfazer de atletas que estão em fim de contrato, como Matheus Cunha, Cleiton e Pablo, o clube já firmou um acordo com o River Plate para a saída de Matías Viña, que foi a terceira opção na lateral-esquerda. Jogadores como Michael e Allan, que tiveram poucas oportunidades no final de 2025, também estão na mira do Flamengo para serem negociados.
Por outro lado, a busca por reforços já teve início com a contratação do zagueiro Vitão e a intenção de trazer um goleiro e um centroavante, que seriam os substitutos de Rossi e Pedro, respectivamente. A saída de Viña exemplifica bem essa nova estratégia: apesar de sua qualidade reconhecida, o Flamengo avaliou que não havia necessidade de manter uma terceira opção na lateral, considerando que isso poderia levar à frustração tanto por parte do jogador quanto da comissão técnica.
A filosofia de Guardiola foi reiterada em diversas ocasiões, onde expressou sua insatisfação com elencos grandes. Em uma coletiva de imprensa, ele chegou a afirmar: "Eu disse ao clube que não quero isso. Não quero deixar cinco ou seis jogadores fora do banco de reservas." Essa preocupação é válida, especialmente em um calendário tão intensivo como o do futebol brasileiro, onde desfalques podem impactar fortemente o planejamento de um elenco enxuto.
Para minimizar essa situação, Filipe Luís poderá contar com jogadores versáteis dentro do elenco. Jogadores como Danilo, que pode atuar em várias posições defensivas, e De La Cruz, que pode jogar tanto como volante quanto como meia, são exemplos de "coringas" que podem ajudar a suprir eventuais lacunas. No entanto, lesões inesperadas ainda podem criar dificuldades, obrigando o clube a voltar ao mercado de transferências.
A janela de transferências já se abriu e seguirá até o dia 3 de março, com uma nova oportunidade de negociação entre 20 de julho e 11 de setembro. As lacunas mais urgentes observadas pelo Flamengo têm sido no setor defensivo, no gol e no ataque. As contratações como Vitão, proveniente do Internacional, e a busca por um goleiro como Gabriel Brazão, do Santos, refletem a prioridade do clube em reposicionar seu elenco. Além disso, tentativas de aquisição de Kaio Jorge, do Cruzeiro, são parte de um esforço para rejuvenecer o time, com foco em jogadores de 25 anos ou menos.
Além das principais posições a serem atendidas, o Flamengo deve focar em contratações que realmente elevem o padrão em relação aos atletas atuais. Caso o clube receba propostas irrecusáveis por jogadores considerados essenciais por Filipe Luís, isso pode forçar uma reavaliação nas estratégias de negociação. O objetivo final continua sendo a construção de um elenco competitivo, reduzido em termos de quantidade, mas repleto de qualidade e com potencial para alcançar grandes conquistas.




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