O Flamengo atravessa um momento de elenco altamente estrelado, cenário que tem provocado reflexos diretos nas oportunidades dadas aos jogadores formados no Ninho do Urubu. Nos últimos meses, jovens talentos da base tiveram espaço reduzido no time principal e, em alguns casos, mesmo após a promoção, acabaram incluídos na lista de atletas negociáveis. O movimento indica uma mudança clara de prioridades dentro do clube, conforme revelou o GE.
A saída de Wallace Yan simboliza bem esse novo contexto. Promovido com expectativa, o atacante de 20 anos teve momentos positivos, mas também enfrentou problemas fora de campo. Internamente, o clube avaliou que o comportamento pesou mais do que o potencial técnico, optando por negociá-lo com o Red Bull Bragantino por 10 milhões de euros. A decisão levou em conta a forte concorrência no elenco e o risco de desvalorização caso o atleta permanecesse sem espaço.
Paralelamente, o Flamengo segue ativo no mercado, reforçando justamente setores que tradicionalmente abriam espaço para jovens da base. O que muda agora é o critério: além do desempenho técnico, passaram a pesar de forma decisiva aspectos como perfil profissional, mentalidade, disciplina tática e comprometimento com o modelo de jogo.
Sob o comando de Filipe Luís, a comissão técnica adota uma postura mais exigente. Jogadores que não se adaptam rapidamente ao padrão estabelecido encontram dificuldades para permanecer no elenco. Essa cobrança se estende também aos atletas formados em casa, que já não contam apenas com o status de promessa para garantir sequência.
Casos recentes reforçam essa linha de pensamento. Lorran, considerado uma das principais promessas do clube, perdeu espaço e acabou emprestado ao Pisa. A avaliação interna foi de que, apesar do potencial, o jogador não conseguiu atender às exigências técnicas e comportamentais do elenco profissional.
Outros jovens também deixaram o Flamengo sem retorno esportivo ou financeiro relevante. Petterson e Felipe Teresa tiveram seus contratos rescindidos após problemas internos, enquanto Matheus Gonçalves foi negociado com um clube saudita depois de receber avaliações negativas quanto ao desempenho coletivo. O ambiente, antes mais favorável à inserção gradual da base, agora funciona com um filtro muito mais rigoroso.
Os números confirmam a mudança: em 2025, o Flamengo registrou a menor sequência de atletas da base no time principal desde 2019. Embora diversos jovens tenham sido utilizados ao longo da temporada, a maioria atuou em contextos alternativos, longe de uma presença regular no elenco principal. O recado interno é claro: talento continua sendo importante, mas comportamento, perfil e adaptação passaram a ter peso equivalente. Em um elenco montado para competir em alto nível, o espaço diminuiu — e quem não se encaixa, acaba saindo mais cedo.




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