A recente saída do campeão olímpico Isaquias Queiroz surpreendeu o cenário esportivo brasileiro e sinaliza uma reestruturação significativa que o Flamengo está empreendendo em sua área olímpica. As dispensas abrangem desde atletas profissionais a jovens nas categorias de base, com o intuito de cortar custos, mesmo aqueles que podem parecer modestos. O primeiro indício de mudanças ocorreu antes da gestão de Luiz Eduardo Baptista (Bap), quando foi anunciada a saída de Guilherme Caribé, um dos principais nomes da nova geração da natação brasileira.
O motivo para a saída de Caribé não foi divulgado, mas acredita-se que a distância da Gávea tenha sido uma consideração importante, assim como no caso de Isaquias Queiroz. O Flamengo justificou as dispensas do time de canoagem, citando a geografia como um fator limitante, já que os atletas não residem ou treinam no Rio de Janeiro. Essa distância, segundo o clube, tornaria difícil a consolidação de um trabalho estruturado e a integração com as categorias de base na cidade.
Entretanto, a ausência de considerações sobre a presença dos atletas não foi aplicada de maneira uniforme. O Flamengo decidiu encerrar o pararemo, a única atividade paralímpica do clube, dispensando atletas como Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcelos e Valdenir Junior. Essa decisão foi notável, considerando que o custo mensal para essa modalidade era de apenas cerca de R$ 10 mil, um valor que se torna irrisório diante do faturamento bilionário do clube.
As mudanças tocaram até as crianças, com natação e judô passando por processos de reestruturação interna. A diretoria informou que as categorias sub-13 e sub-15 foram retiradas do quadro de alto rendimento na luta, e a natação, que está buscando se tornar financeiramente autossustentável, também está passando por mudanças para corrigir deficits operacionais.
Outra grande atleta que parece ter seus dias contados na Gávea é a judoca Rafaela Silva. Embora o clube ainda não tenha tornado a informação oficial, a saída da campeã olímpica dos Jogos do Rio-2016 é amplamente considerada como confirmada nos bastidores, visto que Rafaela tem contrato até o final de janeiro deste ano.
Por outro lado, o vôlei é o esporte que vem ganhando destaque dentro do clube. Após anos de um relacionamento quase protocolar, Flamengo e Sesc RJ trabalham juntos com novas perspectivas. O clube planeja investir seriamente na equipe, ao invés de apenas ceder a camisetas, e o técnico Bernardinho agora é responsável por toda a categoria de base.
O basquete, que trouxe muitos títulos ao clube nos últimos anos, também permanecerá intacto. A percepção é de que, assim como o vôlei, o basquete se sustenta por meio de patrocinadores e atrai alunos para as escolinhas. Ao ser contactada, a diretoria do Flamengo optou por não se manifestar sobre as mudanças em curso.




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