Elano deixou a partida contra o León com apenas
11 minutos do primeiro tempo (Foto: EFE)
A opção do Atlético de Madrid por começar a decisão da Liga dos Campeões, diante do Real Madrid, com o atacante Diego Costa em campo não surtiu o efeito desejado. Com apenas nove minutos de bola rolando, o brasileiro naturalizado espanhol não aguentou mais ficar em campo e, com uma lesão muscular na coxa, deixou a partida. No fim, a substituição queimada logo no início fez falta, e na prorrogação, depois do empate por 1 a 1 no tempo normal, o Real goleou por 4 a 1. No “Bem, Amigos!”, o meia Elano saiu em defesa do jogador, e citou um exemplo próprio para demonstrar a situação delicada.
- Aconteceu isso comigo na Libertadores agora, no Brasil, contra o León. Só que naquele momento era uma situação necessária, era importantíssimo aquele jogo para nós, especialmente para mim que estava há um mês em recuperação. Normalmente a gente é criticado por essa atitude, mas já imaginou o doutor chegar para mim no dia, com 50 mil no Maracanã, e eu entusiasmado para conquistar a Libertadores para o Flamengo e para mim, e ser criticado por tomar a atitude de falar que queria jogar. Sabia que tinha o risco de sair com dez minutos, como poderia ter jogado 45 e ter ajudado, e poderia também ter falado para o médico que não tinha condições, mas no outro dia estaria a manchete: "Elano não quis jogar". Imagina como o treinador e o torcedor do Flamengo iam olhar pra mim. (Se ficasse para o segundo tempo) poderia ter sentido do mesmo jeito. No Brasil não se entende, lá (na Europa) o jogador tem a decisão, ele pode falar "deixa eu tentar" e não é criticado por isso, é dada uma oportunidade - explicou.
No Maracanã, na última rodada da fase de grupos da Libertadores deste ano, o Flamengo precisava da vitória, mas foi derrotado por 3 a 2 diante de sua torcida, tendo sido eliminado. Assim como ocorreu com Diego Costa, Elano, com dores na coxa, aos 11 minutos do primeiro tempo deixou o campo para dar lugar a Gabriel.
- O maior prejudicado quando temos uma lesão somos nós. Quando temos uma lesão, como é a nossa noite em casa? Imagine eu, naquela situação, vim para o Flamengo com a esperança de ajudar o time a passar de fase, e estava vivendo duas situações tristes, tinha uma lesão e o time foi desclassificado. (....) Aquele momento para mim foi uma tristeza muito grande, e a minha vontade foi ter ido embora. O Deni, que é massagista do Flamengo há 30 anos, foi um cara que me abraçou e pediu “pelo amor de Deus calma”, porque naquele momento queria ter ido para a minha casa, porque foi uma tristeza tão grande como a que senti com a lesão na Copa do Mundo, porque foi uma frustração. A esperança que vi no torcedor do Flamengo era a mesma que a minha, de passar, porque sabia que se a gente passasse chegava numa fase mais importante, porque o Flamengo é diferente.
O meia-atacante Júlio Baptista, do Cruzeiro, também saiu em defesa dos jogadores, e acredita que o torcedor brasileiro nunca terá a real compreensão em situações como essas.
- É uma coisa que não vão entender, de querer jogar mesmo estando fora de suas melhores condições, mas é como o Elano falou, lá fora existe uma abertura um pouco maior, "você quer ir, vai, a gente confia em você, se você não conseguir não tem problema". Então é mais tranquilo do que aqui, aqui é uma pressão muito maior. O torcedor brasileiro nunca vai conseguir entender - concluiu.
Diego Costa deu lugar a Adrian Lopes na final da Liga com apenas nove minutos (Agência Reuters)
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