Após dilema "entre futebol e enxada", Marcelo celebra a chance no Fla

29/5/2014 11:45

Após dilema "entre futebol e enxada", Marcelo celebra a chance no Fla

Pai lembra desilusão de zagueiro no futebol e se emociona ao falar da ajuda de amigos. Jogador que quase virou vendedor é relacionado para jogo pela primeira vez

Após dilema entre futebol e enxada, Marcelo celebra a chance no Fla
Marcelo durante a apresentação ao Flamengo
(Foto: Cahê Mota)


A distância entre as ruas do bairro Jardim Natal, na Zona Norte de Juiz de Fora, e o Ninho do Urubu não é das maiores. No entanto, até chegar ao Flamengo, o zagueiro Marcelo fez muitas viagens, idas e vindas, entre alegrias e desilusões no futebol. Boa parcela dessa jornada foi cumprida ao lado do papai. E se não fosse Paulo Manoel da Silva, o Seu Paulo, o futebol poderia ter perdido um zagueiro promissor para um balcão, em uma loja de marcenaria. Depois de passar fome, dificuldades e decepções durante a adolescência, Marcelo quase escolheu ser vendedor, mas o incentivo do pai proporcionou ao então menino acreditar que, mais do que construir e vender objetos de madeira, ele poderia erguer e tornar sonhos reais. Agora, aos 22 anos, ele começa a colher os frutos. Contratado em abril pelo Flamengo, emprestado pelo Volta Redonda, ele foi relacionado pela primeira vez pelo técnico Ney Franco e está no grupo para o jogo desta quinta, contra o Figueirense, no Morumbi.

Para que o momento atual chegasse, Seu Paulo teve que correr atrás, e a maratona começou cedo, de bicicleta. Depois de iniciar Marcelo em um projeto social, onde o menino de 5 anos começou a dar os primeiros chutes, o pai colocou o garoto na garupa e o levou até o Esporte Clube Vila Branca. Algum tempo depois, com a mesma bicicleta, Paulo levou o filho até o Bonsucesso, time amador sediado no bairro Industrial de Juiz de Fora. No começo, foi pedido ao professor da escolinha, Walmir Lima, que deixasse Marcelo treinar de graça, por conta dos problemas financeiros. Isso aconteceu por algum tempo, mas a situação ficou insustentável e aí apareceu a primeira grande dificuldade.


Margarida segura a camisa da apresentação do filho ao Flamengo, ao lado de Paulo e da vó Iracema (Foto: Bruno Ribeiro)

- O Walmir conversou com o meu pai depois de alguns meses e disse que não dava mais para me deixar treinar sem as mensalidades, porque os outros garotos pagavam e a situação era complicada. Meu pai conversou comigo, mas eu não queria parar. Vendo minha vontade e sabendo que o time precisava de mim, meu pai fez uma proposta para o professor. Ele aceitou me manter no time sem precisar pagar e tudo ficou "debaixo dos panos" – disse o zagueiro, ressaltando a importância da passagem pela equipe na adolescência.
A mesma coisa se repetiu no Tupi-MG, quando Marcelo jogou de graça na categoria juvenil. Depois de se destacar no alvinegro juiz-forano, Marcelo seguiu para o Macaé. Chegando lá, além de jogar bem, Marcelo precisou quitar a transferência da própria documentação, da Federação Mineira de Futebol (FMF) para a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ). Sem dinheiro, a família do zagueiro começou a recorrer a vizinhos para garantir o sonho do filho.

- O Marcelo passou por muitas dificuldades lá. Ele me ligava e dizia que estava com fome ou comendo mal, que faltava dinheiro e a gente corria pela vizinhança e recolhia R$ 20 de um, R$ 30 de outro e mandava para ele. Tenho que agradecer muito a amigos que davam grana, emprestavam carro e faziam de tudo para manter o sonho do Marcelo vivo – afirmou o pai.


A "vaquinha" entre os vizinhos e o esforço da família de Marcelo valeram a pena, mas tudo quase foi por água abaixo. Depois de dois anos de boas atuações no Macaé, o jogador foi dispensado e voltou para casa. Desanimado, Marcelo pensou em largar o esporte.

- Quando ele voltou do Rio de Janeiro, o tio dele ofereceu um emprego na loja como marceneiro. Como ele é novo e bonitão, ele vendia muito, principalmente para a mulherada, o que fez o tio dele oferecer um bom dinheiro para que ele largasse o futebol. Porém, eu discuti com ele e disse que ele não poderia deixar o projeto dele de lado. Ele não tinha estudo, e a escolha dele ou era o futebol ou a enxada – comentou Seu Paulo.

Marcelo sabia disso, mas seguiu trabalhando com o tio na marcenaria. No entanto, havia uma proposta em aberto. Destaque pelo Macaé em 2010, o zagueiro chamou atenção do time júnior do Volta Redonda. Ainda triste com a dispensa do ex-clube, Marcelo decidiu ir para a Cidade do Aço. No entanto, o jogador parecia que não estava disposto a ficar. Isso, até ver a reação do pai.


Marcelo preferiu a bola e aceitou a proposta do Volta Redonda, onde começou a se destacar
(Foto: Dhavid Normando/Photocamera)


- Eu estava com uma pubalgia, com dor de dente e precisava me tratar. Quando cheguei lá estava muito inseguro e não queria ficar. Nem levei chuteira. Eu disse que precisava de duas semanas para me tratar e o campeonato começaria em uma semana. Meu pai me tirou da conversa e aí veio minha decisão. Com os olhos cheios d'água ele disse que eu não poderia perder aquela chance. Vendo que eu não queria ficar, ele falou que havia me levado até ali, mas que dali em diante a decisão era minha e se eu não quisesse ficar a escolha estava nas minhas mãos. Isso me sensibilizou e aceitei a proposta – disse o agora zagueiro do Flamengo.


Marcelo está ajudando na reforma da casa da família em Juiz de Fora (Foto: Bruno Ribeiro)

Marcelo se tratou e começou a ganhar espaço na equipe. O destaque foi tão grande que o jogador foi alçado aos profissionais em 2012. Neste ano, o bom desempenho no Campeonato Carioca despertou o interesse de grandes clubes do futebol nacional e o Flamengo sacramentou a contratação.
Rubro-negro, seu Paulo não conseguiu explicar o sentimento ao ver o filho vestindo a camisa do clube de coração. De acordo com o flamenguista de 53 anos, Marcelo não precisa retribuir em nada a ajuda durante os primeiros anos de vida, mas espera que ele continue sendo um bom filho, como sempre foi.

- Eu não quero nada do Marcelo. Ele vai ganhar o dinheiro dele e isso é um mérito que ele conquistou com suor. Ajudando a mãe e os irmãos, ele me faz muito feliz e cumpre o que eu esperava dele como filho amoroso e preocupado que sempre foi – afirmou seu Paulo, que atualmente tem a casa obras, fruto da contribuição de Marcelo.

4097 visitas - Fonte: Globoesporte.com


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