Na semana em que Luiz Antonio virou personagem de investigação policial, o silêncio imperou no Flamengo. Do porteiro ao presidente, ninguém comentou. Além disso, o volante não foi visto um dia sequer com os companheiros. O objetivo era claro: blindar o time. Se a estratégia dará certo, o jogo contra o Coritiba, às 16h, no Couto Pereira, irá mostrar. Mas um dano é inevitável: mais uma vez, o nome do clube esteve nas páginas policiais.
Em seis anos, pelo menos sete rubro-negros foram acusados por algum crime ou pegos em situações que os obrigaram a se explicar à polícia. O excesso de casos leva a uma pergunta que nem mesmo quem acompanhou de perto a maioria deles consegue responder: por que continuam ocorrendo? Para o ex-vice de futebol Marcos Braz, que trabalhou com Marcinho, Adriano, Bruno e Vagner Love, é injusto dizer que o clube nunca se precaveu.
— Há pelo menos dez anos, em todos os contratos que têm direitos de imagem atrelados há cláusulas punitivas. Agora, se os dirigentes, e eu me incluo, não tomam providência é em decorrência da necessidade do elenco em ter o jogador naquele momento.
Além da questão técnica, o clube acaba se vendo diante de uma série de outros dilemas. Como os direitos econômicos do jogador normalmente são divididos com outros parceiros, antes de tomar qualquer decisão a diretoria precisa consultar estes “sócios”, que normalmente se posicionam contra.
Para completar, punir antes da Justiça pode criar problemas, o que deixa o clube de mãos atadas. Em caso de absolvição mais à frente, o jogador pode entrar com um processo. Só que, independentemente do resultado da investigação, a instituição já teve sua imagem arranhada nas páginas policiais.
— Com certeza é negativo. Esses episódios podem atrapalhar em possíveis negociações com patrocinadores — avalia o consultor de gestão esportiva Amir Somoggi.
Dos sete casos, quatro envolveram revelações das divisões inferiores do clube. Sendo que uma delas ainda joga a base: Renan Panterinha, filho de Donizete, acusado de agredir a namorada há um mês. O jogador, inclusive, tem um histórico de problemas.
— Já foi conversado várias vezes com ele e o Donizete — revela Toninho Barroso, diretor da base do Flamengo entre 2010 e 2014. — O Renanzinho vai para boate desde novo. Falta a família chegar mais próximo.
É justamente nas divisões inferiores que o caráter do jogador é formado. No Flamengo, assim como em outros clubes, falta estrutura para dar conta de tamanha responsabilidade.
— O orçamento é pequeno. Não dá para ter escola dentro do clube, e o acompanhamento psicológico é feito só na hora do treino. Mas isso é um problema de qualquer base de clube grande. Nos pequenos então, ainda é pior — completou Toninho.
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