3/3/2013 20:47

Um plebeu diante de uma majestade e súdito

Para Walter de Mattos Junior, editor e fundador do LANCE!, o Galinho estará sempre na memória de todos os rubro-negros

Um plebeu diante de uma majestade e súdito

Tenho um pai de quem herdei meu nome e também a paixão por esporte em geral e pelo Flamengo, em especial. Ele tem 84 anos. Assiste aos jogos do basquete e do futebol quase que com o mesmo entusiasmo. Foi pelas mãos de meu pai que, aos 6 ou 7 anos, comecei a frequentar os jogos dos juvenis (antes de se tornarem juniores) e, um pouco mais tarde, os treinos dos profissionais na Gávea. Ele dizia a mim e ao meu irmão mais novo para prestar atenção no menino magrinho e lourinho: o Zico.

Nas preliminares no Maraca, a presença de Zico era motivo para chegarmos mais cedo ao estádio, ainda que o almoço de domingo fosse gravemente abreviado. Não havia dúvidas quanto às prioridades, que eram o Flamengo, Zico e o resto tinha que se adaptar.

Me dispenso de repetir tudo o que Zico e a brilhante geração que o acompanhou, com Junior, Leandro, Adílio, Andrade entre muitos outros fez naqueles mais de dez anos pelo Fla e pelo futebol do Brasil. Até porque muitos jornalistas como Armando Nogueira, Sérgio Cabral, Juca Kfouri, João Saldanha decantaram em verso e prosa esta fase de ouro da minha vida. Eu e tantos milhões de jovens íamos para a escola na segunda-feira na certeza de reviver os detalhes dos jogos e exercitar as saudáveis gozações entre os rivais. Que saudade boa!

Zico era líder, majestade, mas era ao mesmo tempo, súdito. Sim, um súdito dos princípios de correção que ele herdou de sua estruturada família. Um súdito também de sua paixão por jogar futebol (Zico disse que era incrível lhe pagarem para fazer o que ele mais gostava) e súdito da torcida do Mais Querido. Nunca solicitou regalias. Treinava igual ou mais que os outros. Ganhou tudo, do Estadual ao Mundial. Nestes dias de futebol globalizado, seria o melhor jogador do mundo inúmeras vezes. Como diz o Calazans, se Zico não ganhou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo.

Quando morreu a primeira vez, usando sua expressão que um jogador morre duas vezes, a primeira quando para de jogar e a segunda a
biológica, iniciou uma segunda fase da vida em cargos públicos, como dirigente e como treinador. Num mundo em que a corrupção e a falta de caráter imperam, sua marca é justamente a do caráter inspirador, da firmeza e da clareza. Já discordei de Zico, mas ele nunca me decepcionou e nem aos seus milhões de súditos. É um caso raro, neste país, de um ídolo que não decepciona seus fans na sua vida pessoal.

Volto ao meu bom pai. Que foi e é um pai dedicado, tendo educado a mim e a meu irmão da melhor maneira, e dado carinho e amor. Mas nos ter proporcionado viver a era Zico com a intensidade que vivemos, certamente foi o maior presente que recebi dele. Desejo que meus quatro filhos, o mais velho de nome Arthur, todos Flamengo, tenham algo assim nas suas vidas, alguém que possa ser ídolo e referência em talento e valores. Majestade e súdito, como é Zico.

Vida longa ao rei Arthur!

2685 visitas - Fonte: Lance!


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