Bom de cabeça: Eduardo da Silva mostra calma com a
concorrência (Foto: Gilvan de Souza/ Flamengo Oficial)
Eduardo da Silva começou a sua trajetória no Flamengo se destacando com gols de cabeça. Os dois primeiros que marcou pelo clube foram com fortes testadas, lances que o transformaram em um dos principais nomes do time na guerra à "confusão" declarada por Vanderlei Luxemburgo na temporada passada, quando o técnico pegou o time na zona de rebaixamento do Brasileirão.
Em 2015, o atacante perdeu espaço. As chances voltaram a aparecer com Cristóvão Borges, e a reconquista de prestígio veio de que forma? Com a cuca. Mais duas vezes, contra Fluminense e Coritiba. O camisa 23 não é grandalhão, tem 1,77m, e por isso não se furta de reconhecer que é diferenciado no fundamento.
– Quando cheguei aqui, alguém me perguntou se eu era bom de cabeça. Eu disse: "Para falar a verdade, com toda sinceridade, não porque sou eu, mas na Europa eu fiz muitos de gols de cabeça. E pelo meu tamanho sou muito bom nas bolas aéreas, né?" (Os gols saem) Pela forma que eu me posiciono e às vezes também é sorte, tem que sentir seu colega e conhecê-lo dentro de campo para saber onde a bola vai. E não tem segredo, acho que é trabalhar à parte os cruzamentos nos treinos e aprender com os treinadores – explicou.
Eduardo garante não combinar com os companheiros e atribui o bom rendimento pelo alto à sensibilidade no decorrer do jogo. Todavia, em coletiva concedida nesta sexta-feira, Luiz Antonio disse ter um atalho para encontrar a cabeça do companheiro.
– Procuramos conversar. Uns têm preferência no primeiro (pau), outros no segundo. Procuro conversar com o Eduardo. Ele prefere um pouco mais na frente, porque é mais baixo. Eu busco mesmo é o passe, como fiz com o Eduardo (contra o Coritiba). O Alecsandro já era de pedir para jogar em qualquer canto da área – diferenciou.
Se o papo é cabeça, a de Eduardo está fria em relação à chegada de dois jogadores consagrados para o ataque. As contratações de Emerson Sheik e Guerrero, de acordo com o brasileiro naturalizado croata, não implicam numa automática perda de espaço, mas sim representam uma melhor qualificação do elenco. Garantiu que não ficará chateado caso vá para o banco, por ter "mentalidade de europeu", e recordou os tempos de Arsenal.
– Estou vivendo momentos bons no Flamengo e acho que quanto mais jogadores de alto nível, melhor para o time. Não só o Cristóvão, mas todos falam: "Vai jogar todo mundo". A temporada é longa, são várias partidas. Praticamente não joga o mesmo time todos os jogos. Tem jogador que não aguenta, vai ter jogador com cartões, lesionado.
Eu tenho a cultura europeia: o importante é conquistar campeonato e sempre estar lá em cima na tabela. Para você estar lá em cima na tabela, é preciso um elenco bom. Já vivi isso no Shakhtar, no Arsenal... Jogavam o Van Persie e Adebayor comigo. É bom para manter o ritmo. Vou me incomodar com o quê? Continuarei dando meu máximo, mas vai ser opção do treinador. São doces problemas para ele, que vai ter de escolher.
Confira um bate-papo com Eduardo da Silva:
O que falta para você voltar a ser decisivo como foi em 2014?
Estava faltando confiança dentro de campo e mais oportunidades. Estou feliz agora porque estou tendo isso, estou ajudando o Flamengo a ter aquele arranque como tivemos no ano passado quando chegou o Vanderlei.
Acompanhado por Pará, Eduardo comemora gol contra o Coiritba. De cabeça (Foto: Geraldo Bubniaka/Agência Estado)
Contra o Atlético-MG, adversário do sábado, você fez um gol, mas também viveu seu momento mais delicado no Flamengo, dando aquele passe de calcanhar que ocasionou o segundo gol da derrota por 4 a 1, responsável por tirar o Fla da Copa do Brasil 2014. Ainda remói aquele lance?
Nunca pensei naquele calcanhar, mesmo tendo gerado o gol do Atlético. Já errei muitos passes na Europa e aqui no Flamengo. Aprendo com os erros e provavelmente ainda vou errar muitos passes. Mas aquele jogo também foi mérito do Atlético, que estava muito confiante.
Tinha derrotado o Corinthians na mesma situação, tanto que venceu merecidamente a Copa do Brasil. Eu não penso individualmente quando erro passe. Quem errou foi o Flamengo, não foi só um jogador.
Isso também vale quando marco o gol, como aconteceu na semana passada, quando fiz o da vitória. Não fui só eu que ajudei o Flamengo, foi o grupo. Um grupo todo não depende de um só jogador. O jogador é que depende de um grupo. Errar é normal, faz parte. Ninguém nasceu sabendo jogar futebol, andando ou andando de bicicleta. Estou aqui aprendendo muitas coisas e quero aprender.
Como sua mãe (Joelma), que é rubro-negra, está reagindo a esse seu momento de recuperação no Fla?
Está feliz, sempre fala, dá apoio antes das partidas e dá os parabéns depois do jogo. É motivação para mim, porque a família é fundamental.
Com a chegada de reforços, o Flamengo pensa na parte de cima da tabela?
Eu estou no Flamengo, e o Flamengo é clube de tradição. Com toda minha humildade e sinceridade, só penso alto. Mesmo o time estando no 16º lugar neste momento, eu sempre penso grande. Acho que todo jogador deve pensar assim. Por isso sempre conquistei vários campeonatos lá fora e quero conquistar aqui também. É estar sempre ali na briga para jogar a Libertadores.
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