O péssimo momento do Flamengo no Campeonato Brasileiro fez a diretoria desistir da festa que estava prevista para acontecer na Gávea, nesta terça-feira. O evento de apresentação de Guerrero teria inicio às 10h30, e a entrevista começaria somente três horas depois. Neste intervalo, sócios-torcedores acompanhariam uma partida da equipe master do Rubro-Negro e alguns dos flamenguistas poderiam entrar em campo com o peruano. Nada feito.
A celebração ao novo astro melou, mas festa por estrelas está longe de ser novidade na Gávea. O flamenguista tem apreço todo especial por oba-oba, principalmente em chegadas apoteóticas.

Contratado pelo Flamengo na condição de maior jogador do mundo, Romário desembarcou no Rio em 14 de janeiro de 1995, um sábado ensolarado. Num carro do Corpo de Bombeiros, arrastou multidões do Galeão à Gávea, onde foi recepcionado por três mil pessoas. Na sede social do clube, cantou o hino e provocou a torcida do Vasco, clube que o revelou. Recomendou que levassem lenços para chorarem no primeiro Clássico dos Milhões dele.

Quatro meses depois, Edmundo chegava à Gávea para formar o ataque dos sonhos com o inseparável amigo e o garoto Sávio. Apelidado de Animal no Palmeiras, também desfilou em carro dos Bombeiros, mas na companhia de um tigre, dois elefantes e do macaco Charles, quem colocou no colo. Na sede, também entoou o tradicional "Uma vez Flamengo" e cantou o "Rap dos Bad Boys" ao lado do parceiro marrento.

Após traumática ida para o Vasco em 1989, Bebeto voltou ao Flamengo também com muita festa na Gávea. Reeditaria a dupla do tetra com Romário, mas o Baixinho saiu pouco depois do retorno do baiano. Chorou, cantou o "Oh, meu Mengão" e o hino do clube. Assinou por três temporadas, mas não virou o ano no Fla, assim como Edmundo em 1995.

Em 2009, Adriano, à época aos 27 anos, anunciou interromper temporariamente a carreira, alegando aos dirigentes do Inter de Milão, da Itália, que havia perdido a alegria de jogar futebol. Isso no fim de abril. Duas semanas depois, no dia 7 de maio, "o Imperador voltou". Foi recebido por uma multidão e se arrepiou ao vestir vermelho e preto após seis anos fora.

Apesar da forte identificação com o Palmeiras, Vagner nunca havia escondido que seu grande Love é o Flamengo. Realizou seu sonho em 15 de janeiro de 2010. Antes de pisar na Gávea, vestir a camisa e chorar, chegou ao clube sob o som do funk "Só Love", do amigo Buchecha.

Contratado junto ao Milan, da Itália, Ronaldinho protagonizou a maior festa já vista por um jogador na Gávea. A organização não foi o forte do evento, mas a empolgação dos mais de 20 mil rubro-negros que acompanharam tudo do gramado do estádio deu o tom da celebração. R10 pouco se pronunciou, acabou ofuscado pelo músico Ivo Meirelles. Este, sim, não parava de falar. O sambista Dudu Nobre e a funkeira Valesca Popozuda também deram seu recado no evento. Isso tudo numa quarta-feira à tarde, dia 12 de janeiro daquele ano.

Love deixou o Fla em 2010 sem títulos, mas com 23 gols em 29 jogos. A raça em campo o fez cair nas graças da galera rapidamente. Voltou sob olhares de mais torcedores, chorou novamente e dançou com Buchecha e a presidente Patrícia Amorim no Estádio de Remo da Lagoa. Todos dançaram num frenético trenzinho, novamente embalado pelo "Só Love".
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