25/11/2015 15:11

Wallace resume fim de ano do Fla: Clima extremamente melancólico

Capitão qualifica temporada de 2015 como a mais irregular entre as três em que está na Gávea: "Temos uma boa equipe, mas não deu liga"

Wallace resume fim de ano do Fla: Clima extremamente melancólico

Wallace mostrou-se frustrado com o 2015 do Flamengo (Foto: Fred Gomes)

O ano do Flamengo foi decepcionante. Sofreu duas eliminações para o Vasco - no Carioca e na Copa do Brasil - e tinha no Brasileiro a última chance de redenção. O título nunca foi uma realidade, mas a equipe chegou a ocupar o G-4 por duas rodadas após emplacar seis vitórias. A arrancada foi freada rapidamente. Com sete derrotas em oito jogos, as chances de Libertadores foram liquidadas, e a frustração ficou exposta nos rostos e discursos de atletas, treinador e diretor. O capitão Wallace, em longa entrevista coletiva nesta quarta-feira, externou seu sentimento a respeito do 2015 rubro-negro.

- O clima é extremamente melancólico. O Flamengo jamais pode passar tanto tempo como a gente vem passando e terminando o campeonato (Brasileiro) dessa forma. A gente lamenta. É triste, é desmotivante, mas temos que dar o mínimo de respeito ao torcedor e completar as partidas com dignidade - pregou.

Em certo momento da coletiva, Wallace tentou mostrar otimismo e disse que espera um 2016 melhor. Porém, perguntado se o Flamengo tem uma espinha dorsal para a temporada seguinte, não soube responder.

- Não sei (se tem espinha dorsal). Temos uma boa equipe, não deu liga. Parece que estou pontuando, criticando ou apontando. Os resultados não foram favoráveis, e o futebol, mais do que o desempenho, é resultado. Fizemos partidas horríveis e vencemos. Fizemos boas e perdemos. A melhor equipe que vi jogar no Brasileiro foi a do Grêmio. A equipe que tinha me encantado. Mas o fato de o Corinthians ter vencido faz a imprensa repercutir o campeão.

Confira outros tópicos da entrevista:

O que o Flamengo precisa mudar para 2016?

O Flamengo tem que ser Flamengo. Além da parte de campo, tem que ter mudança estrutural. A gente sabe que a diretoria está seguindo passo por passo, e nós atletas precisamos de paciência. Este ano cada um seguiu um pouco de uma linha e acabamos não nos encontrando. Terminamos o campeonato oscilando de forma exacerbada. Todo mundo achava que o time iria (dar liga) e não foi.

O que mudou para a melhor nesses três anos de Flamengo?

Flamengo se tornou referência. Isso é fato, todo mundo quer vir para cá. O clube hoje tem credibilidade. Esse respeito foi readquirido. Falo na questão estrutural.

Especulações de nomes para 2016 incomodam?

Não me incomoda, mas outros jogadores ficam extremamente incomodados, porque circula na internet e se especula muito. Muitas mentiras se tornam verdades. Para mim, final de ano é muito tranquilo.

Manter treinador é importante?

Não estou especulando. A equipe que foi campeã manteve o treinador por todo o ano, o Atlético manteve o Levir. Talvez para nós, jogadores, não seja fácil nos adaptarmos a mudanças. Não estamos habituados a mudanças. Então (a mudança) faz com que tenhamos de nos readaptar a um novo trabalho. Chega um novo chefe e você tem que se adaptar de um jeito.

Como é lidar com a iminente saída do Oswaldo de Oliveira?

Não posso falar, porque não sei. A gente torce para que ele fique e que as coisas possam se acertar o mais rapidamente possível.

Admite que é difícil o Flamengo manter técnico

A questão de o Flamengo estar se reestruturando pesa. E também por o Flamengo ser esse vulcão todo que é. Flamengo é assim, sempre foi assim até que as coisas mudem. Mas é preciso esperar.

Quando as coisas desandaram?

Quando a gente empatou com o Nova Iguaçu, onde começaria o ano extremamente promissor, o tropeço fez o Flamengo perder a Taça Guanabara. A partir dali as coisas começaram a mudar. Não conseguimos mais manter sequência de vitórias, tirou a confiança de todo mundo.

Por que não?

Percepção minha, mas talvez faltou uma sintonia melhor entre nós, podíamos estar um pouquinho melhor ajustados. A gente começou a trazer problemas desnecessários para cá, porque tem peso no campo. O externo influencia no interno. Essa falta de sintonia nossa também tem questão do campo. Mas o externo do Flamengo entra muito interno.

Que pergunta faria a um dos candidatos?

Sou torcedor do Flamengo, mas vou deixar a pergunta para quem vota. Não cabe a mim, até porque não tenho acompanhado a parte política. Seria incoerente da minha parte. Não é para ficar em cima do muro.

O Vasco cair é interessante para o futebol do Rio?

Como torcedor, claro que quero que o Vasco caia. Mas se for olhar para o futebol carioca, que já está defasado em questão estrutural e com um campeonato que não é atrativo, é uma perda grande para um estado que sempre foi referência. O Flamengo perde, porque não terá um de seus maiores rivais ao lado. Estou falando de forma racional. Se fosse passional, seria diferente. Quanto mais cariocas e baianos, porque sou baiano, melhor.

1827 visitas - Fonte: Globoesporte


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