24/12/2012 11:37

Futuro vice de futebol cogita fundo de investimento para fortalecer Fla

Torcedor de arquibancada, mas só do Maracanã, Wallim Vasconcellos se escora na experiência como executivo e cita frase de Felipão sobre pressão

Futuro vice de futebol cogita fundo de investimento para fortalecer Fla

Wallim Vasconcellos não deixou o conforto da vida já arrumada e bem-sucedida como economista por acaso. Aos 61 anos, o executivo nascido no Rio de Janeiro se lançou candidato à presidência do Flamengo. Impugnado por questões relacionadas ao seu tempo como sócio do clube, ele foi designado inicialmente pela Chapa Azul, que venceu a eleição de 3 de dezembro, diretor geral remunerado do clube. Porém, não quis receber do Flamengo. Pediu ao presidente eleito no seu lugar, Eduardo Bandeira de Mello, amigo dos tempos de Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outra posição. Foi anunciado, ao lado do novo diretor executivo do futebol, Paulo Pelaipe, como vice-presidente do departamento. Um desafio sem par em sua carreira profissional.

Agora lidando com a paixão, Wallim explica suas ideias para fazer o Flamengo voltar aos trilhos do sucesso. Fala em fundo de investimentos, possibilidade de usar leis de incentivo para financiar a base, mas acredita que o principal benefício que poderá trazer aos rubro-negros é a experiência administrativa e a rede de contatos no mercado montada ao longo dos anos.

- Minha relação com o futebol até hoje era só como torcedor e peladeiro. Gosto muito de pelada, mas estou com uma artrose no joelho e não consigo mais jogar, agora só assistir. Basicamente a minha vida profissional foi toda no BNDES, fiquei 20 anos lá, saí em 2003 e fundei a Iposeira Capital. Acho que posso trazer várias coisas. Relacionamento, contato com empresas, bancos, o que é importante numa negociação, busca de patrocínio, negociação de financiamento, captação de recursos. Essa experiência no mercado pode ser importante para o clube em diversas situações.

Ele afirma ser torcedor de arquibancada, mas só da arquibancada do Maracanã. O Engenhão, que abrigou o Flamengo desde o fechamento do estádio que sediará a final da Copa do Mundo de 2014, reconhece não ter frequentado. A diretoria rubro-negra ainda negocia a utilização do Engenhão em 2013, já que o Maracanã, apesar da inauguração, estará fechado em alguns meses em razão da Copa das Confederações.

Curiosamente, ao ser indagado sobre um jogo que o marcou, não apontou inicialmente uma conquista de título, mas um amistoso realizado em 1968, quando o Flamengo enfrentou uma "seleção". A goleada por 5 a 1 no Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes não saiu mais da cabeça de Wallim, que também lembra com carinho do início da era mais vitoriosa da história rubro-negra, para ele nascida do gol do "Deus da raça", Rondinelli, na final do Carioca de 1978, contra o Vasco.

- Eu frequentava bastante o Maracanã na arquibancada. Fui a todas as finais de Brasileiro, Libertadores, Carioca, ia a jogo até contra time pequeno na quarta-feira à noite. Sempre gostei muito do Maracanã, mas confesso que nessa época de Engenhão não tenho frequentado muito. Vários jogos me marcaram. Um deles foi o 5 a 1 no Cruzeiro, que era uma potência. Eles tinham Raul, Tostão, Zé Carlos, Nardal, Pedro Paulo... Ganhamos por 5 a 1, com dois gols do Silva, dois do Luís Carlos, que estava começando. Acho que foi em 68, se não me engano. Fui com o meu pai a esse jogo, me marcou bastante. Mas vários jogos também marcaram. O gol do Rondinelli em 78, quando começou nossa era de maior sucesso... O primeiro título brasileiro foi uma felicidade muito grande, Libertadores também. Cada vitória do Flamengo era uma emoção diferente - lembrou.

Na prática, Wallim coloca algumas possibilidades à mesa. Algumas delas, porém, dependem de outras soluções para se tornarem opções viáveis. A captação de recursos através de leis de incentivo para o financiamento das divisões de base, por exemplo, depende da obtenção da Certidão Negativa de Débito que, no momento, o clube não tem. Pelo contrário. Recentemente, a Receita Federal mordeu os R$ 20 milhões de luvas que o clube recebeu pela renovação do contrato de transmissão de jogos até 2018. Dessa forma, a diretoria teve de pedir autorização aos poderes do clube para antecipar mais R$ 27 milhões do contrato para quitação de salários e dívidas urgentes. Para 2013, restaram cerca de R$ 8 milhões desta receita, que é a maior fatia entre as fontes de renda rubro-negras.

- Eu penso em usar isso, mas o Flamengo tem o problema da Certidão Negativa de Débito. Qualquer incentivo que for pleiteado, tem de resolver isso antes. Temos de obter a certidão para facilitar essa captação de recursos. Mas há outras possibilidades que podem ser usadas, outros instrumentos financeiros. Podemos montar um fundo para investir em direitos sobre jogadores, tenho bastante experiência nisso.

Questionado se a criação de um fundo de investimentos é o plano para o futebol rubro-negro no próximo triênio, Wallim acenou com outras possibilidades, dando a entender que a nova diretoria ainda buscará a solução ideal para encerrar a escassez de títulos. Quer criatividade para permitir a contratação de jogadores consagrados.

- (Fundo de investimentos) É uma das intenções. Para captarmos recursos para investir em jogadores, podemos fazer um pool de empresas, um fundo de investimento em direitos, pode haver empréstimos em cima de recebíveis, então há vários instrumentos do mercado de capitais que podem ajudar nessa captação de recursos. Pretendo usar essa experiência de todos esses anos no mercado para ajudar o Flamengo.

No discurso de Wallim, é fácil perceber que não cabe emoção no planejamento, mas a certeza de que ela estará presente nas cobranças não assusta o cartola de primeira viagem. Reconhece que será um desafio tratar de negócios levando em conta a paixão de milhões de torcedores, com toda a exposição - para o bem e para o mal - que o Flamengo proporciona. Mas nada que provoque medo ou receio no novo vice de futebol.

Com o diretor executivo Paulo Pelaipe, Wallim estará na linha de frente nas glórias, mas também nas crises. A resposta dele passa pela brincadeira desastrada de Luiz Felipe Scolari em sua apresentação como técnico da seleção brasileira, na qual, indagado sobre a pressão da Copa do Mundo no Brasil, afirmou que, se não gostasse de pressão, trabalharia em um determinado banco - que prontamente protestou, bem como os sindicatos envolvidos.

- Assustar, não assusta, não. Sei que é um desafio enorme, sei da dimensão, mas não tenho o menor medo. Eu trabalhava em banco, a pressão era enorme também. Sei que é diferente trabalhar com paixão, e óbvio que você pode ser o cara mais competente do mundo que, se não ganhar títulos, não vai ser reconhecido. Esse é o maior desafio. Mas acho que, se trabalharmos com competência, com as pessoas certas, títulos e outras coisas são uma consequência natural. Não vou repetir o que o Felipão falou, mas, se eu não quisesse pressão, trabalharia em outro lugar (risos). Não vou dizer no lugar que ele falou, até porque não concordo nesse sentido. Mas, se não quisesse pressão, estaria na praia. Já estou acostumado com pressão, trabalhei sob pressão a vida inteira. Não é isso que vai me impedir ou me fazer ficar com medo.

2808 visitas - Fonte: Globo Esporte


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