26/2/2016 20:45
Fla fala em veto da CBF para jogar em Brasília; Feldman nega e pede diálogo
Bandeira diz que pressão da Ferj fez com que entidade mudasse posição. Secretário afirma que Rubro-Negro teria condição excepcional e restringiria direitos de clubes
Feldman: Fla pediu condição especial para jogos em 2016 (Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados)
O Flamengo havia fechado com o governo do Distrito Federal para que Brasília fosse a sede dos jogos da equipe enquanto o Maracanã estivesse fechado durante o Campeonato Brasileiro - houve até reunião entre a Secretaria de Turismo de Brasília e o marketing do Flamengo nessa quinta-feira. Mas logo depois de acertar os últimos detalhes com o governador Rodrigo Rollemberg, nesta sexta-feira, o presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello recebeu a notícia de que a CBF vetou a designação de Brasília como casa indicada pelo Flamengo neste Brasileiro - a notícia foi veiculada pelo Uol.
O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, criticou a CBF e disse que a mudança é resultado de pressão da Ferj. O secretário-geral da CBF, Walter Feldman apresenta outra versão e nega qualquer veto. Segundo ele, houve consulta ainda ano passado pelo Flamengo para indicar outra praça para jogar e que o clube carioca queria condição excepcional, que estava sob análise. Bandeira diz que já tinha parecer jurídico com aprovação para a mudança de casa.
- Pedimos para considerarem Brasília como a nossa casa, inclusive o governador abriu as portas da cidade para nós. Estava tudo combinado, mas saindo da sala do governador eu soube que a CBF negou por pressão do presidente da Ferj. Inviabilizaram nossos planos para jogar em Brasília ou em qualquer outro estado, já que é preciso pedir jogo a jogo e pagar 10% para a Ferj, além da taxa da federação local. Ainda precisaríamos submeter o projeto de cada jogo ao time visitante, que vai poder cobrar também - afirmou Bandeira de Mello.
O presidente se disse especialmente decepcionado com o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. Os dois falaram por telefone há pouco, mas o clima não está bom entre Flamengo e a CBF - muito menos, evidentemente, com a Ferj.
- Isso só demonstra que CBF e Ferj são a mesma coisa em termos de princípios e valores. Tínhamos o parecer jurídico pronto, eles (CBF) sinalizaram positivamente há mais de seis meses e agora em cima da hora mudam. Isso (pedir jogo a jogo) inviabiliza a nossa operação financeiramente, pois o clube visitante, que tem que concordar com o jogo, se sentiria no direito de participar da realização da partida - disse o presidente do Brasileiro.
Feldman nega que haja veto da CBF. Segundo ele, "nunca houve parecer oficial" para que o Flamengo pudesse transferir sua casa Maracanã para o Mané Garrincha. O que havia, de acordo com o secretário-geral da CBF, era um pedido excepcional do Flamengo para questão específica. O dirigente da CBF diz que houve "ponderação interna, análise da CBF", de que a exceção poderia ser motivo de restrição de direitos de outros clubes. Ele também afirmou que houve consulta a clubes, dando a entender que a negativa também tem a ver com outros dirigentes.
- Eduardo sabe que não é isso (veto). Ano passado ele nos pediu para considerar a possibilidade tendo em vista a condição dos estádios do Rio por conta dos Jogos Olímpicos, querendo realizar mandos de jogos fora do Rio e queria achar estádio oficial do ano de 2016. Estudamos essa possibilidade, vimos todas as esferas jurídicas, porque não existe essa figura de ter estádio alternativo oficial. Qualquer clube que queira jogar fora precisa de autorização da federação (no caso, a Ferj), da federação onde vai jogar e do clube visitante. No Brasil inteiro é assim. Ele (Bandeira) queria que esse critério fosse mudado, que não precisasse pedir autorização da federação e nem do clube visitante, já que Brasília passaria a ser casa do Flamengo. Mas não podemos passar por cima das federações, nem dos direitos dos clubes que serão convidados para jogar lá. Isso está no Regulamento Geral das Competições. Ele pediu para abrir exceção por conta dos Jogos Olímpicos. Essa exceção poderia abrir precedentes muito complicado, comprometeria o direito do visitante - disse Feldman.
Questionado se a diminuição das taxas - 10% da bilheteria no caso da Ferj - poderia resolver o caso e deixar o Flamengo mantendo jogos em Brasília, mesmo sem a condição de casa fixa do Rubro-Negro, Feldman pediu diálogo da Ferj com o Flamengo.
- A Ferj não se opõe em autorizar os jogos, conversei com o Rubens Lopes, mas eles têm que conversar. A CBF fica tentando pacificar e apanha. Não dá para passar por cima de regras gerais sem repercussão. Algum clube poderia entrar com representação questionando a decisão da CBF. Nenhum clube abre mão de ser visitante em estádio fora do local de origem do mandante sem ser consultado - afirmou o secretário-geral da CBF.
Em nota, Flamengo cita "decisão arbitrária"
Durante a reunião com o presidente do Flamengo, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, ligou para Walter Feldman com o objetivo de ratificar o interesse de Brasília receber o Rubro-Negro. Segundo ele, seriam pelo menos oito jogos da equipe no Estádio Mané Garrincha. No entanto ele deixou claro que a capital federal ficará à margem do desentendimento entre as partes, preferindo não opinar sobre a questão neste momento.
- O presidente veio manifestar o desejo de que Brasília seja a casa do Flamengo. Eu disse que o governo tem todo interesse de que o Flamengo traga os jogos para cá. Durante a reunião eu liguei para o Feldman mostrei que existe o interesse de que Brasília seja sede dos jogos do Flamengo. Ele disse que recebeu bem a manifestação, mas existe uma questão interna que não cabe a mim comentar - disse Rollemberg.
O Flamengo divulgou nota às 19h50 sobre o caso. O clube, em tom de revolta, diz que o pleito rubro-negro "foi injustificadamente negado". Confira o teor do comunicado do Fla abaixo:
"Diante da impossibilidade de contar com o Maracanã e o Engenhão em 2016, o Clube de Regatas do Flamengo e o Fluminense Football Club solicitaram à CBF ainda em 2015 a liberdade de escolher e definir dois estádios, sendo um considerado sede, outro considerado sede adjunta, em um ou dois estados Brasileiros, para exercer seus mandos de campo. Com a ausência de resposta oficial no ano passado, em janeiro deste ano foi encaminhado um novo ofício à entidade.
Nesta sexta-feira, 26 de fevereiro, foi com absoluta incredulidade e revolta, que o Clube de Regatas do Flamengo recebeu a informação de que seu pleito foi injustificadamente negado. Diante de fato tão lamentável, o Clube de Regatas do Flamengo afirma que:
- Nenhum argumento plausível justifica tamanha arbitrariedade, visto que não existe neste momento um estádio capaz de comportar a torcida do Flamengo no Estado do Rio de Janeiro.
- Como já dito, há meses o Flamengo aguarda uma resposta da CBF. Nos causa estranheza esta negativa, já que a entidade havia nos dado aval técnico e jurídico, sinalizando a aceitação do pedido.
- O Flamengo é forçado a acreditar que esta mudança de postura está ligada à realização da Primeira Liga e ao visível desconforto que o sucesso deste torneio amistoso causa à Federação Estadual do Rio de Janeiro, aliada da CBF, e responsável pela realização do Campeonato Estadual. Basta comparar a qualidade dos jogos e quantidade de público presentes nos respectivas partidas.
- O Flamengo entende que a CBF deveria estar preocupada em aumentar a média de público em suas competições oficiais. Constranger o clube de maior torcida do Brasil e indiscutível recordista de bilheteria da competição a sediar seus jogos em estádios com capacidade reduzida e com menor estrutura, como os disponíveis no momento no Estado do Rio de Janeiro, é um desserviço ao torcedor, mais uma lamentável depreciação do futebol brasileiro originada em decisões tomadas por aqueles que têm por dever proteger o esporte nacional.
- Com essa decisão arbitrária, na qual aspectos políticos obscuros se sobrepuseram aos aspectos técnicos, a CBF está atingindo não apenas o Flamengo, mas a totalidade dos clubes, dos torcedores, dos patrocinadores que investem no futebol brasileiro e dos detentores dos direitos de transmissão, que hoje estão reféns de uma entidade sob suspeição.
O Clube de Regatas do Flamengo espera ter a seu lado todos os clubes na luta contra a burocratização que impede o desenvolvimento do futebol brasileiro. E não irá se curvar, tampouco se calar, diante do arbítrio de quem quer que seja."
1273 visitas - Fonte: Globoesporte
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Uma hora esse país acorda e esses vagabundos terão o que merecem! Estão abusando da paciência do povo, dos verdadeiros torcedores. Não se brinca com quarenta milhões de rubro-negros!