Após 15 anos, "coach" Cássio lembra pênalti espírita: "Foi uma loucura"

3/3/2016 07:48

Após 15 anos, "coach" Cássio lembra pênalti espírita: "Foi uma loucura"

Dono de uma das cobranças mais inusitadas, ex-lateral, agora treinador de crianças, na Austrália fala do lance mais marcante da carreira e da vida na cidade de Adelaide

Após 15 anos, coach Cássio lembra pênalti espírita: Foi uma loucura
Cássio, o camisa 6, comemora o título da Taça Guanabara (Foto: Reprodução/Acervo O Globo)

"Murilooo! Mas a bola volta, entrou, e é gol! Gol do Flamengo, impressionante!". Essas foram as palavras escolhidas pelo narrador Luís Roberto para descrever um dos pênaltis mais inusitados da história rubro-negra, batido por Cássio. Reinaldo abriu o placar com belo gol de falta no tempo normal da final da Taça Guanabara de 2001, e Marco Brito empatou para o Fluminense. Era aniversário de Zico, que completava 58 anos, e a cobrança derradeira, a do título, fora executada por Beto. Mas quem se lembra disso? Naquele 3 de março, o Rio de Janeiro e o Brasil enfrentavam apagões, o que provocou até racionamento de luz, mas existia um iluminado naquele Fla-Flu que foi um "ai, Jesus":
Cássio. O lateral-esquerdo, à época aos 21 anos, na quarta penalidade dos flamenguistas, chutou no meio do gol. O tricolor Murilo espalmou, e a bola, chorada, entrou no fundo da rede.

Quinze anos depois, falando da cidade de Adelaide, na Austrália, onde é o "coach" da "Academia de Futebol by Cassio" (escolinha de futebol voltada para crianças), o ex-jogador de 36 anos lembra do pênalti com muito carinho, gargalhadas e alegria.

- Cara, na verdade, aquele gol ninguém esperava. Eu não esperava, ninguém esperava, foi uma coisa de Deus. Só que depois foi a maior brincadeira no vestiário. Os jogadores me sacaneando, o próprio Zagallo mesmo (risos). Foi muito bom, um feeling muito legal que eu tive. Foi uma loucura. Todo mundo brincou: "Que gol é esse?". Foi muito legal. Era pra ser ali.


Hoje Cássio é professor na Austrália, onde fez muito sucesso como jogador (Fotos: Arquivo Pessoal - Arte: Infoesporte)

A zoação não se restringiu à sorte de Cássio. O próprio tirou onda com os primos, que, segundo o ex-lateral, se viram numa sinuca de bico ao terem de optar ou pelo ente querido ou pelo Tricolor do coração deles.

- Engraçado é que a maioria dos meus primos é tricolor, e eles não sabiam o que fazer na hora. Estavam no jogo, me contaram depois como foi com a gente fazendo churrasco. Falaram que não acreditavam, queriam que eu fizesse gol, mas que o Fluminense ganhasse. Foi o maior desespero da vida deles (risos). Mas no final acho que torceram por mim. Eles contando você chora de rir - diverte-se Cássio, que, dias após a conquista, foi à Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Freguesia, em Jacarepaguá, agradecer pelo lance tão diferente.

Hoje, mesmo aposentado - pendurou as chuteiras em 2014 -, Cássio é ídolo no futebol australiano. Porém, apesar de tudo o que viveu após a passagem pelo clube do coração, não tem dúvidas de que aquele lance é o mais especial de sua carreira profissional, cuja duração foi de 15 anos.

- Fomos campeões da Taça Guanabara e do Carioca. Fiquei muito marcado pela situação do pênalti, que é o fato pelo qual sou mais lembrado aí no Brasil. Seja aí no Rio ou aqui na Austrália, onde tem brasileiro e flamenguista sempre comentam comigo do pênalti.

Confira abaixo mais lembranças de Cássio sobre o gol contra o Fluminense e papo a respeito de como está a vida do ex-lateral em Adelaide, na Austrália, e da torcida pelo Flamengo à distância - o ex-camisa 6 tem o hábito de fazer postagens em homenagem ao clube do coração.

Como está a vida na Austrália, o que o fez optar por morar no país após parar de jogar futebol?

Parei de jogar em 2014, em dezembro. E aí eu já abri a escolinha em janeiro. To há 15 meses com ela, com quase 100 crianças, e está tudo muito bom. Pesou na escolha de a gente morar aqui. Abri meu business aqui, e meus filhos (Bernardo, que faz 12 anos em março, e Henrique, de 7) já estão adaptados na escola e foram alfabetizados em inglês. Minha esposa (Juliana Oliveira) também está trabalhando agora. Foi tudo se desenhando de uma maneira bem natural e acabou que eu fiquei aqui.

Não pretende voltar para o Brasil?

A gente sempre sente saudade do Brasil, principalmente do Rio. Sou daí, tenho casa aí, sentimos falta da família e amigos, mas infelizmente a situação do país não está muito convidativa. Quero dar um futuro bom para os meus filhos, e o momento não é nada propício para voltar. A gente tenta sempre voltar nas férias, mas não está muito agradável para morar aí. E também há o fato de a Austrália ser um país maravilhoso. Está tudo certo aqui. Futuramente acho que vamos voltar a morar no Rio, meus filhos vão ter contato com o país, mas o momento não é agora.


Cássio gosta da vida na Austrália. A primeira foto é numa catedral, no Natal passado. Na segunda, tira onda como bodyboarder. Ao lado da esposa, uma foto no Opera House, em Sydney; com Juliana e os filhos, no farol de Byron Bay e na praia Poart Noarlunga (Foto: infoesporte)

A escolinha tem te deixado satisfeito, tanto profissionalmente como financeiramente?

Estou muito feliz. O jogador quando para tem que trabalhar e voltar à vida normal, e eu sempre tive isso na minha cabeça. Já tinha planejado, então a transição para mim foi um pouco mais fácil. Fiz curso no Australian Institute of Fitness e estou cursando Sports Management (gestão). Estava com a experiência de fazer marketing e toda essa área, porque não é só campo e bola. Tem toda aquela parte por trás, administração, o marketing. Então me ajudou, e eu tinha muita vontade de trabalhar com criança. Apesar de eu ser um treinador, um "coach" duro e disciplinador, ao mesmo tempo eu brinco com as crianças. Os pais estão super felizes, trago alguma coisa diferente em relação à disciplina, porque tem diferença do australiano para o brasileiro. Hoje está dando certo para mim financeiramente, claro que nem se compara a quando você é jogador, mas está dando para a gente viver bem.

Voltando ao gol de pênalti contra o Fluminense: o que ele mudou sua vida?

Mudou muito. Faz 15 anos, e acho que aquele pênalti foi um divisor de águas na minha carreira. Fiz muitas coisas como jogador, joguei mais de 400 partidas como profissional, fiz gols importantes. Ganhei títulos pelo Flamengo, Inter, mas as pessoas lembram muito desse momento. Em qualquer lugar que eu vá as pessoas me reconhecem e falam disso. Falam de outros momentos, mas esse lance ficou marcado de maneira inusitada, mas também de maneira positiva. A gente ganhou o campeonato, e o gol me colocou no mercado de maneira diferente.

Por ser diferente, teve sabor de vingança da barriga do Renato, de 95?

Acho que nos vingamos com o gol de pênalti. Pagamos na mesma moeda (risos).

Ainda vê jogos do Flamengo aí da Austrália?

Eu torço. Nas minhas últimas férias eu queria muito ter ido ao Maracanã, mas eles estavam de férias e depois em pré-temporada. Fui lá em janeiro, um dia antes de voltar para cá, levei minha família na Gávea. Tem meu nome ali na Calçada da Fama, meus filhos viram e ficaram todos felizes. Queria levá-los no Maracanã, porque eles gostam muito, e minha família tem muitos flamenguistas. Só tem uma traíra lá em casa (risos) - Cássio tem uma irmã vascaína. Tirei foto na Sala de Troféus, levei meus filhos, e eles tiraram fotos com a camisa do Zico. Foi bem legal, e o pessoal mais antigo me reconheceu. Foi bem legal ter jogado no time que eu sempre torci e ter sido campeão foi melhor ainda.

Já que você segue acompanhando, o Vasco, um dos adversários contra o qual você se deu muito bem na conquista do tri carioca de 2001 e em muitos outros jogos, agora é pedra no sapato rubro-negro. Como lidar com isso?

Tenho acompanhado. Te falar a verdade que dói um pouco. Vejo os jogos, procuro saber, e o Flamengo perdeu de novo. A rivalidade, quando é sadia, é bem legal. Lembro da nossa época de base, e a maioria virou profissional. Eu, Julio Cesar, Alessandro, Fernando, Juan, Roma, Reinaldo, Rocha, Adriano. No Vasco era a mesma coisa. Tinha Helton, Maricá, Géder e uma galera boa. Rivalidade era positiva desde a base, mas a gente ganhava a maioria. Atropelava (risos). Chegou no profissional e atropelamos de novo (risos).


Cássio, em visita à Fla Experience, onde atualmente estão os principais troféus do Fla (Foto: Reprodução/Instagram)

1959 visitas - Fonte: Globoesporte.com


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