Wallace é capitão desde 2015 (Foto:Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)
Capitão do Flamengo desde fevereiro de 2015, Wallace foi do céu ao inferno no clube. Chegou desacreditado em 2013 por ter sido reserva na maior parte de sua passagem pelo Corinthians, mas se firmou com a boa participação no título da Copa do Brasil. Meses depois, tornou-se campeão carioca e ainda vivia lua de mel com a torcida. Inclusive chegou a filmá-la nas comemorações posteriores à final com o Vasco. Hoje, não tem mais o carinho dos rubro-negros, que o perseguem. Por inúmeras vezes foi vaiado ainda no primeiro tempo. Assim, ficam as questões: é possível um jogador que não conta com a empatia dos fãs seguir com a braçadeira? Quais são os requisitos para assumi-la com segurança?
O GloboEsporte.com tentou contato com ex-capitães como Zico, Fábio Luciano, Paulo César Carpegiani, Beto e Léo Moura, porém só os últimos três se sentiram à vontade para falar. O ex-jogador Beto, dono da braçadeira nas conquistas do Carioca e da Copa dos Campeões de 2001, foi o mais incisivo: disse que, mesmo incomodado de fazer comentários a respeito de um colega de profissão, a torcida odeia Wallace. E, por isso, crê que uma mudança é urgente. Juan, seu ex-companheiro, é o preferido.
- Vem pesando bastante essa falta de empatia da torcida com ele. Acho que ele não tem postura de capitão nem liderança em relação ao grupo. Pelo meu modo de ver, não tem. Não é um jogador que chama, que dá bronca na hora de dar bronca e que incentiva na hora certa. Hoje a torcida odeia o Wallace. A gente vê isso. Chego a ficar nervoso quando assisto a jogos perto de caras que o odeiam, porque não gosto que falem mal de companheiro. É até difícil de eu falar, mas acho que o ciclo dele está se encerrando no Flamengo. Isso está pegando muito, e ele já entra em campo pensando: "Mano, eu não posso errar". Ele entra pilhado, com medo. Qualquer erro atrás hoje é Wallace. Ele está marcado assim - afirmou Beto, completando com campanha por Juan:
Beto foi tri em 2001 ao lado de Juan (Foto: Marcelo Barone)
- Acho que o Juan deveria pegar essa braçadeira. É um jogador que o torcedor gosta. Chegou em dúvida porque não tava jogando no Inter, mas é experiente, vem jogando bem e conquistou muita coisa. Mesmo sendo calado, é um líder. Ele é quieto e centrado, mas na hora de falar, fala.
Léo Moura foi outro a argumentar que a troca de capitão é a decisão mais prudente para o momento turbulento do Flamengo. Wallace herdou a braçadeira justamente de Léo, que, em fevereiro do ano passado, acertou com o Fort Lauderdale Strikers, dos Estados Unidos.
- Na minha opinião, o capitão, lógico que ainda mais sendo do Flamengo, tem que ter identificação com o clube. Lógico que a gente respeita a escolha de quando o treinador optou por ele, mas é difícil que um jogador que não tenha empatia com a torcida ser capitão e se tornar líder. É muito complicado. Na minha visão, acho que era melhor preservá-lo um pouco. Para mudar esse histórico só depende dele, porque acho que, independentemente de ser capitão ou não, se a torcida cobra, pega no pé, é porque ela vê que alguma coisa não está indo bem. Acho que melhor seria dar uma preservada - afirmou o atleta, hoje no Santa Cruz.
Paulo César Carpegiani, capitão do Flamengo no início da Geração de Ouro, foi treinador de Wallace no Vitória. O ex-volante disse que o defensor sempre foi muito introvertido, mas evitou opinar se é correto mudar o dono da braçadeira. Preferiu listar quais são as características ideais para a função.
Carpegiani foi capitão do Flamengo até Zico assumir a braçadeira, ano em que virou técnico (Foto: Eduardo Deconto/GloboEsporte.com)
- Não poderia me meter no que é do Muricy, ele que tem de responder, não vivo o dia a dia. Mas o capitão é a ligação com o treinador e a torcida. Muitas vezes um cara que é bem aceito pela torcida contorna crise. Então a palavra do capitão tem muito valor. Menos do que a do treinador, mas tem muito valor para acalmar ambiente. É muito importante a escolha certa do capitão. É o treinador dentro de campo. Tem que saber se dirigir, não adianta o torcedor não gostar do cara. Eu tinha uma abertura com o Coutinho (Cláudio, técnico do Flamengo de meados dos anos 70 até 1980), falávamos dos caras, ele me perguntava, e eu respondia. Não pode ser cara temperamental. Tem que ser sereno e tranquilo para dar explicações convincentes quando as coisas não estão boas.
Léo Moura e Beto também opinaram sobre quais requisitos um capitão do Flamengo precisa atender. Confira a opinião dos dois abaixo.
- Acho que primeiramente ele tem que ter uma liderança natural, nada pode ser de uma força que não seja natural. O cara tem que ser respeitado e querido pelo grupo. Para liderar um time, tem que ser bem quisto. São fatores principais, ser querido e ter liderança positiva - disse Léo.
- Para ser capitão, tem que ter liderança no grupo. Além disso tem que ter o companheirismo de todos, que todos te ouçam e que conversem. É preciso disso para discutir em campo o que tem de acertar e o que tem de ser feito. Isso te leva a ter o respeito do grupo para poder ser o capitão. Vai do treinador também, mas se tiver respeito e confiança do treinador e companheiros, o perfil é esse - completou Beto.
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