Pedido de Lula, rusga por Perlla, Pet... "Papo de setorista" com Marcos Braz

12/1/2017 21:21

Pedido de Lula, rusga por Perlla, Pet... "Papo de setorista" com Marcos Braz

Vice-presidente de futebol do Fla em 2009 revela bastidores da conquista do Hexa

Pedido de Lula, rusga por Perlla, Pet... Papo de setorista com Marcos Braz
Marcos Braz e o time do GloboEsporte.com no "Papo de setorista" (Foto: GloboEsporte.com)

Enquanto estão na função nos bastidores dos clubes, os dirigentes fazem de tudo para esconder as informações e, principalmente, polêmicas que rondam o elenco. Porém, quando a resenha é liberada não faltam histórias para contar. No "Papo de setorista" desta quinta-feira, GloboEsporte.com recebeu a visita de Marcos Braz , vice-presidente de futebol do Flamengo em 2009, ano da conquista do hexacampeonato brasileiro. Após mais de 1h30 de conversa, lembranças, risadas e relevações sobre a trajetória do grupo até levantar a taça.

Entre os muitos momentos relembrados durante a entrevista, Braz usou grande parte do tempo para mostrar como era o relacionamento com os jogadores, especialmente com Adriano. Desde a polêmica queimadura, que o tirou da partida decisiva contra o Corinthians, o dirigente teve que lidar com problemas do atacante, que chegou até mesmo a assustar por desaparecer momentos antes do encontro com Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente da república, após a conquista do título.

- Ele deixou a gente de cabeça em pé uma vez. Era dia do encontro com o Lula e com a Dilma. Tinha um encontro, Flamengo campeão brasileiro, tinha que cumprir o protocolo. Naquela época era praxe o campeão ir ao presidente da república. Os jogadores meio de férias, cada um sairia de um lugar. Não precisa falar que o Adriano não embarcou no horário certo (risos). E eu e o Isaías ficamos, “Adriano, você tem que vir, é o presidente da república”. Aos 49 do segundo tempo ele fretou uma avião, estava chovendo demais, mas chegou lá meia hora, 20 minutos antes do evento. Todo mundo iria estar com o presidente da república. O Lula pegou o Adriano, puxou para o canto e falou, “menino, a gente precisa de você, você vai ser importante para a Copa do Mundo”. Nisso a de 2010. O Lula ficou bastante tempo conversando com o Adriano. Ele é uma pessoa introspectiva, que não faz mal a ninguém, a não ser a ele mesmo. Se você falar que o Adriano divide grupo, que faz mal pra alguém... Nunca dividiu grupo, mas faz mal a ele mesmo e jogou duas Copas do Mundo fora.

Adriano com taça de 2009: Marcos Braz apostou no atacante (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Confira outros casos lembrados na entrevista:

Adriano e a queimadura polêmica
Nem gosto tanto de falar isso, mas eu tinha muita paciência com o Adriano porque meu reserva era o Bruno Mezenga, o Dênis Marques. É fácil passar por críticas, mas tinha que ter o bom senso (...) Não teve negociação com o Adriano nessa história. Ele tinha tido problema da queimadura, nós já tínhamos um calendário pronto em que iríamos para Atibaia antes do jogo contra o Corinthians. Ele não queria viajar antecipadamente, mas sim fazer o tratamento no Rio e ver se teria condições no sábado. Deixei bem claro que se não fizesse o tratamento lá junto com os jogadores não iria jogar, e foi isso que aconteceu. Papai do céu ajudou e ganhamos o jogo, depois ele entendeu a minha posição. A gente não sabia se no dia do jogo teria possibilidade dele jogar ou não. O que falo é que a não ida dele para Atibaia impossibilitou essa chance de no dia do jogo poder jogar.

Maior problema que teve para administrar em 2009
- Na reta final a gente teve um problema do Léo Moura com o Álvaro. O Léo já não estava mais no relacionamento da época, uma ex-namorada, como todos temos na vida. Era a cantora Perlla. Um jornal me ligou alertando desse problema, que o Álvaro poderia estar saindo com a Perlla, que isso seria colocado na imprensa logo que tivesse a confirmação. Não tinha o direito de pedir ao jornalista que não desse a matéria, mas pedi só que não desse naquele momento para eu conversar com o jogador. No outro dia, se ele entendesse que tinha que dar, tudo bem. Liguei para o Isaías Tinoco na hora. O Flamengo estava saindo do treinamento para ir à concentração. Chamei o Bruno, capitão na época, e disse que ele teria que conversar com o Léo Moura e o Álvaro. Os três teriam que chegar a uma conclusão, que não tivesse nenhum tipo de desconforto depois que saísse na imprensa. Foi tão natural e bem resolvido que quando saiu não teve tanta força. Mas era uma reta final de Campeonato Brasileiro, imagina a situação que eu estava?

Andrade foi efetivado no segundo semestre de 2009: levou o Flamengo ao título do Brasileirão (Foto: Vipcomm)

Efetivação de Andrade
- Era segundo semestre de 2009, mas foi uma semana muito difícil. No começo da semana, o Cuca, o auxiliar e toda a parte que trabalhava ligada a ele tinha sido demitida. Dois dias depois o Kléber (Leite) e o Plínio (Serpa Pinto) também saíram. Cheguei para substituir o Kléber, com quem tenho boa relação até hoje, mas sem técnico e auxiliares. O Andrade tinha aquele problema que as pessoas achavam que nunca se dava a oportunidade para ele, ou que não tinham paciência. A gente colocou ele contra o Santos, ganhamos, mas antes do jogo eu falei com ele, “é injusto eu chegar, te botar nesse jogo e te tirar daqui a dois, três jogos. Se vou ter outro técnico ou não, não sei, mas nos próximos três, quatro jogos você é o técnico do Flamengo”. Tive uma boa percepção na hora, isso deu tranquilidade pro Andrade. Nunca tínhamos ganho na Vila Belmiro no Brasileiro, num jogo que o Flamengo sai perdendo, estreia do Luxemburgo (no Santos), e o Flamengo vira e ganha o jogo.

Pet e a cobrança do bicho
- Foi uma má interpretação do Pet em relação a isso, mas não foi na maldade. O que aconteceu foi o seguinte, a cada quatro pontos seguidos o Flamengo tinha uma premiação. Tiveram dos jogos que o Flamengo ganhou em casa e fora. O Pet entendia que tinha que ter uma bonificação a mais em cima do bônus. O problema com o Pet começou aí. Quando eu assumi a vice-presidência na época ele estava afastado por determinação dos outros dirigentes. Quando assumi determinei que fosse reintegrado, liguei para o preparador físico para que desse uma atenção, e assim foi feito. Seria um louco se quisesse ter tido problema gratuito com o Pet. Não quis ter em nenhum momento, ao contrário, mas nesse encontro, num ambiente de estresse, isso potencializou uma situação que não tinha problema nenhum. Não se resolveu, eu paguei o que tinha acordado. Nesse dia fui no Bruno e em outros dois jogadores. Não podia ficar mal com o grupo, porque tinham que ter o entendimento que estava correto no que acordei, mas também não queria colocar o Bruno e o Adriano contra o Pet.

Relação com o goleiro Bruno
- Nenhum problema, tudo que tratei com ele, o Bruno cumpriu. Em 2009 não tive nenhum episódio que pudesse arguir ele, ou perguntar. Tudo que foi tratado era cumprido. Quando estávamos para vender o Sheik ou não, o Bruno chegou e falou, “Marcos, veja se conseguem pagar os garotos e salários menores, e deixa a gente (Pet, Adriano, Willians), que a gente segura um pouco”. Acho que isso é legal eu falar agora, não por ele estar na situação que está agora. Minha análise é com o Bruno jogador, capitão. Comigo foi correto até o final.

Renato Abreu, Toró e a pancadaria num amistoso
- Sabe um jogador que tive problema quando fui diretor de futebol, hoje é meu camarada? Até citou isso na entrevista de despedida do Flamengo. Foi o Renato Abreu. O time conseguiu sair numa pancadaria num amistoso no Uruguai. Na saída do campo o Toró deixou o pé no Renato. Imagina, o Toró, um menino, e o Renato, cascudo, olha para trás e está o Toró chutando no ele (risos). No meio de um problema desse, num vestiário... Um estádio que foi feito em 1934 para a Copa do Mundo do Uruguai, o Centenário. Vestiário claustrofóbico, e começa a discussão. Fui pedir calma ao Renato, “é um menino, ele está errado, você está certo”. Ele disse, “comigo só fala o presidente”. Aí deu problema também. Aí falei o que tinha que falar para ele. Foi meio aquela briga de galo e parou, tudo por causa do Toró.

Na foto, Renato e Toró se abraçam, mas já tiveram briga em vestiário que causou desconforto (Foto: Nina Lima / VIPCOMM)

Início da "Era Patrícia Amorim"
No dia da premiação dos melhores do Brasileirão, que o Adriano não foi, a Patricia Amorim ganha a eleição no Flamengo. Queria fazer as coisas dela, a gestão dela, mas ficou um desconforto comigo, que tinha acabado de ser campeão. Se ela entendia que deveria me deixar lá, devia me dar 100% de apoio. Se entendia que deveria trocar, tudo bem, procedimento normal e natural, Flamengo ia continuar a ser o Flamengo. A vida continuaria. Mas imagina segurar esses jogadores todos, todos com proposta, sem exceção. Roma em cima do Adriano, o Éverton já estava tendo problema, o Álvaro tinha proposta, e a gente conseguiu segurar quase todo mundo. Consegui trazer o Vágner Love sem o Flamengo gastar um real, num gancho de uma briga da torcida do Plameiras num shopping, convenci ele a vir. Foi um bom trabalho, respeitei a instituição, sou muito grato. Fui secretário de esporte do Rio de Janeiro por esse nome que peguei no Flamengo.

1175 visitas - Fonte: Globo Esporte


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Marcos Braz não foi presidente

ok consegiu títulos mais deixou uma conta enorme pro Bandeira pagar ai é foda. ....si todos os presidentes da história do FLA fosse metade do Bandeira hoje o FLA brigaria de igual pra igual com Barça é Real Madri. ..

Marcos Braz...eca!!!!!

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