A defesa de Guerrero voltou de Lima, no Peru, nesta terça-feira, com otimismo na bagagem. O advogado Pedro Fida e o bioquímico Luiz Carlos Cameron se reuniram no domingo e na segunda com a Federação Peruana de Futebol para reunir provas de que o atacante é inocente. Mas de onde vem esse otimismo? Explicamos:
O teste antidoping feito por Guerrero depois da partida do Peru contra a Argentina, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, teve um resultado analítico adverso e apresentou a substância Benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína e da folha de coca, utilizada em chás produzidos na América do Sul.
A defesa de Guerrero, porém, descarta o uso da droga social e acredita em uma contaminação de algum chá tomado pelo atacante, apesar de o metabólito ser exatamente o mesmo. Entenda, abaixo, a importância do bioquímico Luiz Carlos Cameron no caso:
Análise do resultado analítico adverso
Cameron estudou, durante as reuniões com a Federação Peruana de Futebol, o "mapa" do teste antidoping, pela urina, realizado por Guerrero durante as Eliminatórias para ter mais detalhes da substância ilegal encontrada.
Como saber que não é cocaína?
Especialistas ouvidos pelo GloboEsporte.com e que preferem não se identificar por questão ética explicam: apesar de o metabólito ser o mesmo, a cocaína e a folha de coca apresentam diferenças.
Durante seu processo de produção, a cocaína é misturada a outras diversas substâncias químicas, que seriam flagradas no exame antidoping se tivessem sido ingeridas - por causa da reação do corpo humano a elas. A folha de coca, não. Ela é "pura" e produz apenas a Benzoilecgonina no organismo. Está aí a diferença.
Tem um porém
Se uma pessoa consome cocaína, as outras substâncias somem em cinco dias. Ou seja, a partir do sexto, só a Benzoilecgonina aparece no sangue. Vale ressaltar, mais uma vez, porém, que pessoas próximas a Guerrero, além da defesa, também garantem que ele nunca fez o uso de drogas sociais, como a cocaína.
O jogo contra a Argentina foi em Buenos Aires, mas a contaminação foi no país?
Provavelmente não. A seleção peruana se apresentou ao técnico Ricardo Gareca em Lima no dia 30 de setembro, sábado, e viajou a Buenos Aires só no fim da tarde do dia 4, quarta-feira, um dia antes da partida das Eliminatórias.
Mas e se tiver tomado chá de coca, Guerrero pode ser inocentado?
Não... Chá de coca também é proibido. Por isso, a defesa aposta que o atacante tenha ingerido a folha de coca sem querer, por uma contaminação, por exemplo, durante a produção de outro chá - Guerrero estava gripado na época do jogo contra a Argentina e admite ter tomado chás. Se isso for provado, o atleta do Flamengo deve apenas ser advertido - a punição em caso de uso de estimulante conscientemente é de quatro anos.
Com todas estas respostas, a defesa de Guerrero voltou ao Brasil otimista e descartando o uso de cocaína. Os advogados, inclusive, enviaram à Fifa documentos mostrando isso. A contraprova do teste antidoping do centroavante será aberta no próximo dia 9, em Colônia, na Alemanha, na presença de Luiz Carlos Cameron.
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