Flamengo foi recepcionado pela torcida em Maceió (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
Primeiro foram os mais de cem torcedores no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, onde os torcedores rubro-negros compareceram em massa para ver o elenco do Flamengo desembarcar na capital alagoana. Entre gritos e muitas fotos, os torcedores fizeram a festa. Mas a relação de amor com o time carioca é antiga.
Dílson Tenório, de 58 anos, declarado flamenguista doente, é o dono do bar do Feijãozinho, um dos primeiros em Maceió a transmitir jogos via TV a cabo na década de 90. Era o point dos flamenguistas em Maceió. Em dia de jogo do Flamengo, a Fernandes Lima, uma das avenidas mais agitadas da capital, parava. O bar ficava pequeno para tantos torcedores. O empresário relembra os bons tempos com saudade.
- Fui um dos primeiros em Maceió a exibir os jogos dos times de fora em bar. Naquela época eram poucas as pessoas que tinham TV a cabo em seus estabelecimentos. Dia do jogo do Flamengo isso aqui parava, a rua era completamente tomada por mesas, cadeiras e bandeirões. Vinha até gente do interior para acompanhar os jogos do Mengão aqui - lembrou.
A paixão pelo Fla era tão grande que o empresário decidiu fazer um mascote para o bar.
- O feijãozinho é o mascote do bar e ele veste o uniforme do Flamengo, é para dar sorte.
Na década de 90, Dílson fundou uma torcida organizada do Flamengo em Maceió, a Flamaceió. Ele garante que a torcida fez sucesso, e torcedores querendo se associar não faltavam.
- Era muita gente querendo fazer parte da torcida aqui em Maceió. A procura era muito grande, todo mundo queria ser sócio. Quando o Mengão vencia saíamos com mais de 70 carros de som pelas ruas, com bandeirões, era uma festa.

Torcedor do Flamengo, Dílson Tenório foi presidente de organizada (Foto: Viviane Leão/GLOBOESPORTE.COM)
Zico alagoano
Quando criança, o editor de imagens Gustavo Viana, de 44 anos, era apelidado de Zico. Seus amigos diziam que o estilo de jogo dos dois se parecia muito. O ídolo inspirou o alagoano, que acompanhou os anos dourados do Rubro-Negro. Em relação à partida desta quarta-feira, com o ASA, pela terceira fase da Copa do Brasil, o torcedor está otimista.
- Acompanhei a trajetória de Zico e de grandes craques do Flamengo. Sou louco pelo o Flamengo, e tenho certeza que meu time vai vencer o ASA nessa quarta-feira, e o placar pode ser um 3 a 0 e ficarei feliz - disse.

Sérgio mostra o jornal autografado pelos jogadores que venceram a Copa do Brasil em 2006
(Foto: Viviane Leão/GLOBOESPORTE.COM)
Já o jornalista Sérgio Gusmão, flamenguista 'sadio', como ele se considera, nasceu em Alagoas e se mudou para o Rio de Janeiro ainda muito pequeno. O Fluminense foi o time que ele elegeu como seu, mas um Fla-Flu em 1972 fez seu coração virar preto e vermelho.
- Minha paixão pelo Flamengo começou eu indo ao Maracanã para torcer para o Fluminense, em um Fla-Flu, em 1972. Eu ia ao estádio com o meu pai, que era flamenguista, mas nós ficávamos na torcida do Fluminense, aí quando eu vi aquilo, todo o estádio gritando, toda aquela energia da torcida, pedi a ele para ir para a torcida do Flamengo. Foi naquele Fla-Flu que eu virei flamenguista, fiquei impressionado. E nessa partida, o Flamengo acabou vencendo o Fluminense por 2 a 1, e sendo campeão carioca - contou.
Sérgio exalta a torcida do Flamengo, para ele, não existe nada igual. Os festejos ao time e o silêncio na hora da decepção, do samba aos cânticos. A magia do Maracanã e os ritmos dos sambistas, embalados pela poesia e a paixão do futebol.
- A torcida do Flamengo é a raça do time. Ela tem uma característica que eu particularmente gosto, ela incendeia antes do jogo, faz uma festa, mas ela demonstra muito quando o time não está bem, quando o time vai mal ela se cala, é diferente da do Corinthians e da do Atlético Mineiro, que perturbam o jogo inteiro. E a história do Flamengo para mim está muito ligada ao Maracanã, porque torcer para o Flamengo no Engenhão não é a mesma coisa. O Maracanã antigamente era uma festa, o pessoal soltava pipa, assistia ao jogo em pé. É uma torcida que tem características bem peculiares em relação às outras torcidas que no final acabam copiando o que nós fazemos, essa é a verdade. Todas as músicas de torcida para o time surgem mesmo com a torcida do Flamengo, talvez por ter muito sambista. Os caras têm essa criatividade, é muito legal.
Tendo acompanhado de perto as mudanças em seu clube no decorrer dos anos, Sérgio é cuidadoso ao analisar o o atual elenco rubro-negro. Para ele, o Flamengo ainda é um time em formação que depende muito do talento do lateral-direito Léo Moura. O jornalista disse que mesclar a experiência da velha escola com o talento dos mais novos seria uma boa saída.
- Esse elenco do Flamengo ainda está em formação, tem uma molecada muito nova. O Flamengo perdeu muito da identidade, e isso não é de agora. Você continua tendo o Léo Moura como o grande ídolo do time do Flamengo, que já está lá há 200 anos, quer dizer, tem muito menino novo bom, mas aí é preciso mesclar os novos com os jogadores mais experientes. Não acredito que o Mano Menezes vá fazer milagre, é mais uma contratação cara, por equívocos de diretorias passadas, não sei se ele vai fazer muita coisa. O time do ASA, por outro lado, é muito arrumado, e, assim como enfrentar a Seleção Brasileira, nesses jogos todo mundo cresce. Eu espero que seja 2 a 0, eu espero.
ASA e Flamengo não se enfrentavam há sete anos. As duas equipes entram em campo nesta quarta-feira, às 21h50, no Municipal de Arapiraca, pela terceira fase da Copa do Brasil. Já o O jogo de volta está marcado para o dia 17, no mesmo horário, no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda.
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