“A vida esportiva é feita por vitórias, não há vitórias morais. Mas senti um grande orgulho de ser treinador deles nessa final”. A declaração de Jorge Jesus ajuda muito na compreensão do sentimento do Flamengo após a derrota para o Liverpool por 1 a 0, sábado, na decisão do Mundial de Clubes. A tristeza pelo adiamento do sonho do bicampeonato do mundo está ali, como tem que ser. O luto faz parte desses momentos. Só não tira espaço do imenso orgulho do que a equipe fez nos 120 minutos e em todo 2019.
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Quando fala-se em jogar de igual para igual, vai-se além do placar apertado na prorrogação, além de espetar Alisson o tempo todo. Significa que o Flamengo foi fiel às suas características ofensivas como raras vezes um sul-americano foi nesse formato de mundial. A cada ano que passa, a força econômica de clubes globais aumenta a lacuna na disputa. O Flamengo conseguiu encurtar. Obviamente, por também ser poderoso financeiramente dentro de seus padrões. Mas fundamentalmente houve um equilíbrio tático, entre ideias de jogo.
Flamengo e Liverpool protagonizaram um 0 a 0 movimentado, de trocação franca e altíssimo nível. Faltou pontaria, é verdade. Os dois goleiros fizeram intervenções nos 90 minutos, mas o conceito do espetáculo que gere os trabalhos de Jorge Jesus e Jurgen Klopp foi cumprido.
A mil por hora nos cinco minutos iniciais dos dois tempos, os Reds criaram boas chances, principalmente com as impressionantes inversões de um lado para o outro do campo. A forma como Arnold bate na bola é um absurdo. O Flamengo, por sua vez, logo mostrou que estava longe de ser qualquer adversário e tomou as rédeas do jogo. Dos 20 ao apito final do primeiro tempo foi impositivo, empurrou os ingleses e superou a marca dos 60% de posse de bola.
O segundo tempo começou com susto. Bola de Firmino na trave, chute perigoso de Salah... Quem já não fez a conexão da ''sorte de campeão''? Mas o Flamengo novamente se restabeleceu, subiu a marcação, complicou a saída de bola e equiparou o jogo. As mudanças de Jorge Jesus não surtiram efeito, e o Liverpool acabou por determinar o ritmo do jogo e amassar o Rubro-Negro após as entradas de Vitinho e Diego. As pernas do Flamengo de 75 jogos em 2019 pesaram, a marcação de pênalti de Rafinha em Mané no último lance e anulado pelo var, foi como uma consulta ao cardiologista e a ida para a prorrogação soou como alívio.
Aquela história da trocação franca, no entanto, continuou, e foi aí que o Fla pecou no equilíbrio entre o ímpeto e o cansaço. Quando atacava, foi castigado por uma das principais características dos Reds: a bola esticada e a velocidade dos homens de frente. Henderson lançou, Rodrigo Caio falhou, Mané tocou e Firmino, mostrou que pode ser um dos X-Men originais, frio na cara de Diego Alves e o gol do título estava marcado.
Lincoln ainda desperdiçou boa chance no fim, mas acabou não sendo possível vencer. Competir, sim. Foi possível, e muito.
Capítulo final para um Flamengo que “ficou marcado na história”. E que se não é mesmo vencedor moral, voltará ao Brasil com o moral nas alturas para 2020.
Orgulhoso do Flamengo torcedor?
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