30/10/2020 16:43

Técnicos estrangeiros dominam o "fechado" futebol brasileiro

Técnicos estrangeiros dominam o fechado futebol brasileiro

No alto da tabela do Campeonato Brasileiro o segundo idioma é o espanhol. Três técnicos de fora do país que lutam lado a lado pela liderança do Brasileirão, competição que em raríssimos casos o título foi conquistado por equipes treinadas por estrangeiros, cuja presença é incomum no futebol local.



No topo da classificação do torneio nacional, que neste fim de semana chega na 19ª de 38 rodadas, o líder Internacional é comandado pelo argentino Eduardo Coudet. Seu compatriota Jorge Sampaoli lidera o Atlético-MG, terceira colocado. Entre os dois, o espanhol Domènec Torrent luta pelo bicampeonato do Flamengo (2º).

Os técnicos estrangeiros mostram serviço na terra de Mário Lobo Zagallo, uma temporada depois que o português Jorge Jesus se tornou o segundo estrangeiro a vencer o Brasileirão, após o argentino Carlos Volante (com o Bahia, em 1959).

Nos cinco principais campeonatos do mundo é comum encontrar treinadores de nacionalidades variadas. Acostumado a olhar para dentro de suas fronteiras, o Brasil começa a abrir mais espaços para profissionais importados.

"Para nós é uma novidade porque parece que o Brasil está fora do mundo globalizado, disse à AFP Paulo Vinícius Coelho, o PVC, comentarista do SporTV.

As equipes de Coudet (35 pontos), Torrent (35) e Sampaoli (32) não só dominam a competição. Também são os times com mais gols e que incorporam estilos de futebol diferentes - como o jogo de posição - daqueles desenvolvidos por seus colegas brasileiros.

“O técnico não é competente ou incompetente porque tem passaporte azul ou vermelho, é competente ou não porque estudou, porque trabalhou, porque se preparou”, diz Coelho.

E eles “são técnicos muito bons, são técnicos melhores que os nossos”, acrescenta.

Inter e Flamengo também lutam nas oitavas de final da Copa Libertadores. Em 2019, com o Rubro-Negro, Jesus se tornou o primeiro estrangeiro a vencer a competição continental com uma equipe brasileira.



- "Melhor" preparados -

Carlos Alberto Parreira, treinador campeão mundial com a Seleção Brasileira nos Estados Unidos em 1994, considera que os seus compatriotas estão muito atrás de seus pares internacionais.

“No Brasil era mais empírico, pragmático. O jogador se aposentava e no dia seguinte virava técnico (...) Qualquer profissional, de qualquer área, precisa de um curso de formação”, afirmou em entrevista ao jornal Estado de São paulo.

Há décadas a Europa exige licença para ser treinador, e boa parte daqueles que desembarcam no Brasil fazem esses cursos ou da Federação Argentina de Futebol. Somente em 2019 a Confederação Brasileira de Futebol passou a solicitar especializações.

“É natural que os treinadores de fora tenham uma preparação melhor do que os daqui do Brasil. Isso é indiscutível. Agora, existem grandes treinadores lá fora, como existem aqui também, caras com boas ideias e preparados", reconheceu Rogério Ceni, que dirige o Fortaleza.

Longe dos primeiros lugares, renomados treinadores locais participam desta edição do Brasileirão: Mano Menezes, Renato Portaluppi ou Paulo Autuori.

“Ouvi dizer que os técnicos estrangeiros são muito exaltados, mas o Brasil tem grandes técnicos, com ideias diferentes. Olho para o lado para 'roubar' algo de cada um”, diz Coudet.

Longe dos imigrantes que estão no alto da tabela, o português Ricardo Sá Pinto luta para evitar que o Vasco da Gama seja mais uma vez rebaixado. E ainda há a possibilidade da chegada de outro estrangeiro, já que o Palmeiras busca substituto para o recém demitido Vanderlei Luxemburgo fora do país, o que elevaria para cinco o número de "forasteiros" na competição, igualando o recorde da temporada passada.

- Tradição -

Historicamente, os campeonatos brasileiro e argentino, os mais fortes da América do Sul, relutam em importar técnicos. Na Argentina, apenas um dos 24 treinadores é estrangeiro. Na Inglaterra são onze, na Alemanha são seis, na Espanha cinco, na França quatro e na Itália três.

Mas a presença de forasteiros nem sempre foi algo incomum. Antes de se consolidar como potência do futebol, o Brasil recebeu uruguaios, argentinos ou ingleses. Charlie Williams e Bela Guttmann treinaram clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A conquista da Copa do Mundo de 1958 sob o comando do paulista Vicente Feola, promoveu a hegemonia dos técnicos brasileiros, que começou a ser quebrada no início desta década com os fracassos da Seleção Brasileira.

“Depois de sermos campeões mundiais, passamos a acreditar que éramos uma referência no futebol mundial”, explica PVC.

O feitiço do 'jogo bonito' fechou as portas, que se abriram, timidamente, no início do século com a chegada de treinadores experientes que, porém, saíram sem glória.

O uruguaio Jorge Fossati, os argentinos Ricardo Gareca e Daniel Passarella, os colombianos Juan Carlos Osorio e Reinaldo Rueda e o alemão Lothar Matthaus viveram alguns meses em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro ou Curitiba.



Após o fiasco do 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, o número de treinadores que passaram pela migração começou a aumentar em meio a um futebol que busca se reinventar.

390 visitas - Fonte: Yahoo/Rodrigo ALMONACI


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Isso so prova , que os tecnicos brasileiros estao muito abaixo , e eles tem que ter humildade de reconhecer , que estão muito abaixo dos estrangeiros .

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