Dome à beira do campo durante o duelo entre Flamengo e São Paulo, no Maracanã, pelo Brasileirão 2020 (Imagem: RODRIGO BUENDIA / POOL / AFP)
A expressão "ataque posicional" ganhou espaço no debate sobre futebol no Brasil nos últimos meses. Na boca de torcedores ou comentaristas, a forma de atacar, que, diga-se, não é novidade por aqui, foi massacrada por muitos como algo que ''engessaria'' ou tornaria o time do Flamengo mais previsível, prejudicando o desempenho do melhor elenco do país. Um grande serviço de desinformação e até mesmo uma confusão semântica.
O nome posicional levou muita gente que deveria estudar para explicar o jogo de futebol no Brasil a cair no erro do significado da palavra. O ataque posicional não prevê que os atletas fiquem parados, sem mobilidade. Ele rege o respeito a uma ocupação de espaços estabelecida no campo de jogo. Cada jogador tem sua faixa de atuação e se movimenta dentro deste setor. Se aproximam e se procuram de acordo com a posição da bola.
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Se a bola chegar na linha de fundo pela direita, o ponta pela esquerda tem a obrigação de atacar a área pelo outro lado. Se o adversário pressiona a saída de bola da equipe, o centroavante, homem mais avançado, recua metros junto com o restante do time para dar opção de passe e compactar os setores. Apenas dois exemplos que desmistificam o que vem sendo pregado. A ocupação de espaços fica mais racional, as linhas de passe são geradas automaticamente e a bola vai até o jogador com mais frequência, não o contrário.
Tite, na Seleção, Dorival Junior, Jorge Sampaoli e Maurício Barbieri são apenas alguns nomes que já implementaram este modelo ofensivo aqui no Brasil. Por vezes com sucesso, em outras sem êxito. Como em tudo no futebol, a ideia por si só não é a responsável pelo bom ou mau desempenho. Precisamos avaliar a execução de tal proposta. Para isso é fundamental entendê-la, e não a deturpar.
O Flamengo é o time com o melhor ataque do Campeonato Brasileiro 2020, o que cria mais chances nítidas, o que mais acerta passes, o que tem melhor aproveitamento nos dribles. Como vemos, ''engessado'', ''previsível'' e ''burocrático'', alcunhas designadas ao ataque posicional nas últimas semanas, não são adjetivos que podem ser aplicados ao coletivo do rubro-negro.
O que impede este Flamengo de ser mais competitivo é o comportamento no momento defensivo. Sem a bola, Domènec precisa fazer o time evoluir na pressão que exerce sobre o adversário que tem a posse. A intensidade avassaladora ao subir as linhas de marcação ficou nos primeiros meses de 2020. O catalão pede o mesmo movimento, mas a forma com que ele é feito deixa muito a desejar.
Alguns fatores podem causar isso. O insano calendário do clube este ano, a sequência de lesões de atletas importantes e a falta de confiança em defensores que não deram resposta positiva pesa bastante. Mas o time pode ser mais bem condicionado taticamente a fazer isso. Criar outros mecanismos para se proteger e sofrer menos gols. No New York City, Dome já não havia mostrado grande aptidão para trabalhar problemas defensivos. Se quiser ter mais sucesso no Brasil e dias mais tranquilos, precisa evoluir neste aspecto.
Goleadas em competições de pontos corridos deixam marcas, mas são recuperáveis pelo bom trabalho ofensivo da equipe e a qualidade das peças individuais. Já em competições eliminatórias, essas mesmas goleadas geralmente são fatais.
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