A companhia aérea Gol criou uma saia-justa com os clubes. A empresa lançou promoção de passagens para voos utilizados pelas equipes em viagens para jogos do Brasileirão. A medida desagradou alguns clubes, que não gostaram de ter seus voos expostos ao público, além de temer pela segurança dos atletas.
As diretorias da Ponte Preta e do Fluminense alegam que não usam a Gol em todos os voos e que, portanto, os torcedores que adquirirem as passagens correm risco de não viajarem com os atletas.
O clube de Campinas está na zona de rebaixamento. O retorno com torcedores após uma derrota poderia criar clima de animosidade, entende o presidente da Ponte, Márcio Della Volpe.
"Não acho bom. É uma situação meio complicada porque torcedor pode voltar de cabeça quente e querer discutir com os jogadores. Além disso, a Ponte tem usado a Azul por causa do aeroporto [Viracopos, em Campinas]", disse Della Volpe ao UOL Esporte.
O diretor executivo do Fluminense, Rodrigo Caetano, criticou a veiculação dos voos do clube no site da Gol.
"Não autorizamos isso [divulgação dos horários dos voos], é algo que não teve o aval do Fluminense. Contatamos a Pallas [empresa credenciada pela CBF para organizar a logística do Campeonato Brasileiro] e manifestamos nossa contrariedade quanto a não termos sido consultados, até porque é a nossa rotina que está sendo divulgada", disse o dirigente.
O Internacional também reprovou a promoção. Há um aviso na promoção de que os clubes podem alterar os voos mesmo após o início da comercialização das passagens aos torcedroes.
A Gol, por intermédio da assessoria de imprensa, informou que desconhece a utilização de outras companhias por parte de clubes da Série A.
Favoráveis a torcedores no voo
A maioria dos clubes consultados pelo UOL Esporte é favorável ou não vê problema em dividir espaço no voo com um número maior de torcedores. Bahia, Grêmio, Vitória e Criciúma apoiam a promoção.
"Acho excelente. Qualquer iniciativa que contribua para o torcedor nos acompanhe em outras cidades é válida. Muito bom", disse Valton Pessoa, vice-presidente do Bahia.
"Não tem problema desde que o torcedor se comporte. O voo é livre. Sempre há o respeito da torcida com os jogadores. Eles são assediados no aeroporto, mas nos voos nunca houve problema", declarou Marcos Chitolina, assessor de futebol do Grêmio.
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