O futebol brasileiro movimenta cada vez mais a economia, e nesta década tem crescido cerca de 30% por ano. Os gigantes europeus ainda dominam o mercado, mas na América do Sul o Brasil é líder absoluto em receitas, o que reflete nos resultados em campo. Desde 2011, os três campeões da Copa Libertadores são brasileiros.
Um estudo do Itaú BBA, com a participação de nove executivos, analisou os balanços dos principais clubes da cinco principais ligas europeias, além de Brasil, Argentina Chile e Colômbia. O trabalho mostra que, apesar da posição financeira privilegiada, os grandes clubes brasileiros têm baixa participação na economia do país, proporção inferior aos argentinos e chilenos.
O estudo aponta o Corinthians como campeão brasileiro em receitas em 2012, com R$ 359 milhões. O número fica bem abaixo do R$ 1,5 bilhão do líder Real Madrid (ESP), mas supera com folga os R$ 139 milhões do Boca Juniors (ARG). O Entretanto, o Alvinegro é responsável por R$ 82 para cada milhão de reais do PIB brasileiro, enquanto o Boca responde por R$ 134 a cada milhão de reais do PIB local.
Em termos de participação na economia de seus países, tanto o Boca Juniors quanto o River Plate estão à frente dos clubes brasileiros, ocupando a 11ª e 14ª posições em uma escala mundial. O Corinthians é o 17º colocado no ranking, que, assim como o de receitas, é liderado pelo gigante Real Madrid.
Clubes chilenos também surpreendem e aparecem na frente dos do Brasil, com fatias maiores em relação ao PIB do país. O Universidad do Chile é o quarto mais participativo do mundo, respondendo por R$ 201 para cada milhão de reais do PIB chileno. O Colo Colo é o 25 colocado, quatro posições acima do Flamengo.
A economia brasileira é maior do que a dos vizinhos. Também interferem nos dados as vendas de atletas, comuns em times sul-americanos. Ainda assim, a maioria dos clubes do Brasil e o futebol ainda têm um caminho a percorrer.
Bate-Bola - Cesar Grafietti (Executivo do Itaú BBA e membro da equipe responsável pelo estudo)
LANCE!Bizz: Qual a razão da menor participação na economia de clubes brasileiros, em relação aos vizinhos?
Cesar Grafietti: Há que se fazer uma distinção. O Universidad do Chile tem uma receita maior do que o normal. Em 2012, vendeu quatro ou cindo jogadores de expressão. Argentinos e chilenos dependem muito de vendas, as receitas variam.
L!Bizz: Acha que os brasileiros operam abaixo do seu potencial?
CG: Fora o Corinthians, os outros têm um caminho a percorrer. Um potencial de crescimento que ainda não conseguiram explorar, seja por marketing, pelo sócio torcedor. Os brasileiros deveriam estar perto do Boca Juniors (11º colocado no ranking).
L!Bizz: Por que o Corinthians é considerado um exemplo neste quesito?
CG: O Corinthians está atingindo a maturidade em termos de receita. Em 2011, só respondia por R$ 55 para cada milhão de reais do PIB brasileiro. Em 2012, esse número já mudou. Cresceu muito. Todos os outros clubes brasileiros ainda estão abaixo do Corinthians.
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