Torcida pedindo para ficar, gol no palco preferido e vitória do Flamengo. A noite perfeita de Hernane na quarta-feira poderia não ter acontecido. Horas antes da partida, o atacante ainda estava receoso de entrar em campo. Tudo por não saber como seria a reação da torcida caso não atuasse bem.
Hernane já tinha conhecimento de que a negociação com o clube chinês tinha chance de não acontecer. Mas a torcida não sabia disso. E neste ponto estava o receio. O Brocador não queria criar um ambiente ruim mesmo se decidisse ficar.
O técnico Jayme de Almeida não quis influenciar na decisão do atacante de entrar ou não em campo. Hernane teve liberdade para escolher o que lhe faria melhor naquele momento. No entanto, após ouvir o diretor executivo, Paulo Pelaipe, e o empresário, Paulo Pitombeira, o Brocador ganhou a confiança que precisava para jogar contra o Emelec.
Quando acabou o primeiro tempo e o Flamengo vencia por 1 a 0, sem jogar bem, Hernane pode ter entrado no vestiário achando ter tomado a decisão errada. Mas justamente aos nove – número dele – minutos da etapa final, qualquer insegurança foi dissipada. O gol, ao melhor estilo Brocador, dando apenas um toque na bola, dentro da área. O artilheiro foi comemorar fazendo o coração com a mão simulando que o jogaria para a arquibancada. E o som da torcida gritando “Fica, Hernane” ao fim da partida era a retribuição do carinho.
Não dá para afirmar quanto o pedido influenciou na decisão, mas com certeza, ele pesou. Tanto que na saída de campo, ele confessou:
– Eu me emocionei ali, isso é muito importante para mim, a torcida reconhecer o meu trabalho, fico muito feliz.
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