O clima de festa do futebol carioca deu lugar a um cenário de horror. Arthur Cortines Laxe, um jovem de apenas 18 anos, teve sua vida transformada em tragédia no último domingo. Ao tentar deixar o Maracanã após o clássico entre Flamengo e Vasco, o torcedor foi atingido no rosto por um disparo de bala de borracha efetuado pela Polícia Militar. O impacto foi devastador: Arthur perdeu permanentemente a visão do olho direito e confirma uma sequência de cirurgias reparadoras para tratar fraturas no nariz e lesões faciais.
Nos bastidores do atendimento, o relato da família é de revolta e desamparo. A mãe do jovem, Christiane Cortines, dispara contra a conduta dos agentes. Segundo o relato da vítima, ao ser atingido, Arthur tentou buscar ajuda com os policiais que faziam o cerco, mas foi ignorado e instruído a se afastar enquanto sangrava. O impasse sobre a segurança pública em grandes eventos ganha contornos dramáticos, já que o efetivo de 800 homens não impediu o tumulto e, conforme a denúncia, agiu com força desproporcional.
A PM do Rio de Janeiro reage às acusações informando que instaurou um procedimento interno para investigar as circunstâncias do disparo. Enquanto isso, o caso chega à Justiça. A família de Arthur já admite que buscará indenização do Estado, questionando como um espetáculo esportivo pode resultar em traumas irreversíveis. Em jogo, agora, está a responsabilidade das forças de segurança em proteger o cidadão comum em meio ao caos das organizadas — um problema crônico que o Rio de Janeiro desafia, mas ainda não conseguiu solucionar.
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