Flamengo é condenado a pagar indenização e pensão vitalícia a ex-segurança
O Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região confirmou, em decisão recente, a condenação do Flamengo em favor do ex-segurança Benedito Ferreira, que atuou no Ninho do Urubu durante o trágico incêndio de 2019, que resultou na morte de dez jovens da base do clube. O acórdão, publicado em 26 de outubro, garante a Benedito uma pensão vitalícia até os 78 anos, além de uma indenização total de aproximadamente R$ 580 mil.
No desdobramento da ação, a decisão unânime dos desembargadores aumentou a indenização por danos morais de R$ 100 mil para R$ 150 mil, enquanto a pensão foi ajustada para se basear apenas no salário-base mensal do ex-funcionário. O Flamengo ainda arcará com custas processuais e uma parte significativa da indenização, após o valor de um acordo extrajudicial ser considerado nulo.
Benedito Ferreira, que foi demitido pelo clube em 2022 após 14 anos de serviço, alegou que o Flamengo não reconheceu o impacto psicológico decorrente do incêndio em sua saúde mental. Os laudos periciais confirmaram que ele apresenta transtornos depressivos e de pânico, associados diretamente ao trauma vivido no incidente.
A Justiça considerou a demissão de Benedito como um ato ilícito, ressaltando que o clube tinha conhecimento de seu estado de saúde e do tratamento médico que ele estava recebendo. O laudo ainda apontou a perda da capacidade do segurança para exercer sua função original, evidenciando a gravidade do quadro clínico.
Além da compensação financeira, a decisão judicial reflete um cenário mais amplo de responsabilidade social e jurídica que clubes de futebol devem considerar ao lidar com suas equipes. A condenação do Flamengo também levanta questões sobre a gestão de elenco e a proteção dos direitos dos trabalhadores, especialmente em casos de trauma psicológico.
O Flamengo, que ainda tentou um recurso em instância inferior, não se manifestou publicamente sobre a nova decisão. Enquanto isso, Benedito Ferreira optou por não comentar os desdobramentos, focando em seu tratamento e recuperação.
O caso gera discussões sobre a necessidade de maior atenção às condições de trabalho e saúde mental dos profissionais em ambientes de alta pressão, como os clubes de futebol. O resultado da ação pode influenciar a forma como outras instituições lidam com situações semelhantes no futuro.
240 visitas - Fonte: Torcida Flamengo
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