Ainda dói na nossa alma a covarde joelhada de Zúñiga. Não creio na inocência do truculento colombiano. Não aceito suas desculpas. Neymar não merecia isso. Nós não merecíamos. A Copa não merecia. O futebol não merecia.
Privar a principal competição esportiva do planeta de uma de suas estrelas mais brilhantes — e logo o craque da seleção local — foi um crime hediondo. Digno de punição mais severa que os nove jogos e quatro meses impostos ao “vampiro” Luisito Suárez. Mas duvido que “dona Fifa” faça algo.
Que se danem, pois, o maldito Zúñiga, o escorregadio Joseph Blatter e seu fantoche Jerôme Valcke. A partir de agora, Neymar será o nosso El Cid.
Tal e qual o bravo cavaleiro espanhol que, morto, liderou, a cavalo, os seus guerreiros na batalha contra os mouros, em Valência, a inspiração do nosso moicano nos guiará nesse final de Copa.
Em cada passe de Oscar, a partir de agora haverá o talento do jovem craque criado na Vila Belmiro; em cada chute de Fred ou Hulk, a sua pontaria; em cada cobrança de falta de David Luiz, a sua precisão; em cada defesa de Júlio César, a sua energia; e em cada desarme de Fernandinho e Paulinho, a sua garra incansável.
Todos seremos Neymar, de agora em diante. Do campo às arquibancadas. Das telinhas das casas e apartamentos aos telões dos restaurantes e das “Fun Fest”. Da ponta das chuteiras dos jogadores ao âmago do nosso coração.
Não teremos medo porque, de corpo presente no estádio ou não; ele estará conosco, em espírito, no gramado. E a cada dificuldade, é do seu rosto de menino que nos lembraremos. E é nele que nos inspiraremos para buscar soluções. Criativas e geniais. Como as que ele habitualmente encontra.
Nélson Rodrigues costumava dizer que, quando orgulhoso, o brasileiro se sentia como um dragão da independência, de espora e penacho. Pois digo agora que, desde o diagnóstico da fratura na coluna de Neymar, todos passamos a ter um número 10 às costas e com ele desfilamos, imponentes, de topete moicano e cabelo descolorido na alma. E é assim que iremos à luta.
Quem entra?
Não se sabe ainda qual será a escolha de Scolari para substituir Neymar. A mais óbvia (e, para mim, a melhor) é a pura e simples entrada de Willian, um jogador polivalente e talentoso, que poderia manter a mobilidade do nosso ataque, com sua reconhecida capacidade ofensiva, aliada à disposição para o combate no meio-campo O problema é que ele também sentiu as costas no treino de hoje em Teresópolis...
Por outro lado, após as ótimas atuações de Fernandinho e Paulinho, contra a Colômbia, já há quem aposte na manutenção da dupla, mesmo com a volta do titular Luiz Gustavo, o que aumentaria o poder de marcação no meio-campo e empurraria Oscar para uma posição mais central no meio, restringindo o ataque a Fred e Hulk.
Pelo histórico de Felipão e Parreira, temo que a segunda seja a solução mais provável e que Willian fique como opção no banco de reservas, apenas para o caso de estarmos em desvantagem e precisarmos reforçar o ataque.
O Tite dos Hermanos
A Argentina manteve os 100% de aproveitamento, no melhor estilo do Corinthians nos bons tempos de Tite. Ganha sempre por apenas um gol de diferença, na maioria das vezes por 1 a 0.
Messi continua a ser o fator de desequilíbrio, mas a contusão de Di Maria, que vinha sendo o segundo melhor atacante do time, tira boa parte do poder ofensivo da equipe de Sabella.
No sufoco
Como sofreu a Holanda! A Costa Rica caiu de pé e provou que não há mesmo nenhuma seleção sobrando na Copa.
Copa do luto
Não bastassem as mortes de Luciano do Valle, Maurício Torres e Fernandão, recebo agora a triste notícia do falecimento de Vicente Senna, inesquecível companheiro de meus tempos de foca, no “JB”. Um jornalista brilhante, um homem de caráter. Vai com Deus, amigo.
Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado
e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou Conecte com Facebook.
Comentários do Facebook -