Investidor explica modelo usado com Fla e crê que novas regras não durarão
Diretor da empresa que articulou contratação de Cirino diz que veto da Fifa à participação de terceiros em direitos sobre atletas não afeta modelo de negócio
Marcelo Cirino, Atlético-PR, deve ser anunciado pelo Flamengo nesta sexta-feira (Foto: EFE)
O futebol passa a viver, a partir de agora, o impacto das novas regras da Fifa, que proíbe a participação de terceiros em direitos sobre jogadores de futebol. Até o fim de abril, acordos incluindo investidores ainda poderão ser assinados, com validade máxima de um ano.
Em maio, a proibição passa a valer em definitivo. De acordo com Marcos Motta, advogado e membro do grupo de estudos da Fifa sobre o tema, afirmou que contratos que tenham como garantia percentuais sobre a venda futura de atletas também estão vetados. Na outra ponta, Nélio Lucas, diretor-executivo mundial da Doyen Sports, não acredita que as novas normas serão mantidas por muito tempo.
A Doyen recentemente articulou a contratação de Marcelo Cirino pelo Flamengo, que correu para garantir a documentação principal do acordo até quarta-feira para não ficar sujeito às novas medidas. No formato utilizado, o jogador assina por três temporadas e a empresa empresta ao clube uma determinada verba para compra de direitos.
Sendo vendido antes disso, a empresa fica com 80% do valor e o clube com o restante. Segundo Nélio Lucas, a Fifa proibiu a propriedade de terceira parte (Third-party ownership, ou TPO na sigla em inglês) e a empresa está utilizando o investimento de terceira parte (Third-party investment, ou TPI na sigla em inglês), o que o leva a crer que poderá manter o modelo de negócio, talvez com algumas alterações.
- Esses negócios foram estruturados dentro do nosso formato tradicional e que já era diferente. Ao contrário dos demais que se enquadram no tão famoso TPO, em que um terceiro é co-proprietário do jogador, a Doyen criou um modelo diferente, o TPI. A diferença é que a operação é feita num gênero de financiamento em que o clube só terá desse capital caso tenha possibilidade de o pagar um dia.
O objetivo é promover uma saúde financeira estável e não passar um cheque em branco ao clube. A forma como é estruturado leva a que a operação fique registada e assim não há uma fuga ao Fair Play Financeiro.
É um modelo de exigência e responsabilidade. Assim que quando um clube quer comprar um jogador e pede assistência financeira à Doyen nós analisamos bem todos os números, o fator risco e potencial, a saúde financeira do clube, o valor do atleta e potencial de valorização, entre outros fatores, e aí definimos um prazo que permita ao clube poder fazer o pagamento desse financiamento. Normalmente é uma média de 3 anos.
Para isso o clube tem que entregar uma garantia que encerrado o prazo permita à Doyen reaver ser capital - explicou o executivo.
Questionado se a empresa, neste caso, não estaria passando a atuar como uma instituição financeira, Lucas respondeu:
- A diferença entre a Doyen é um banco é que primeiro os bancos não estão emprestando dinheiro para o futebol e nós sim, e muito. Mas mais importante que isso é que aceitamos garantias que os bancos não aceitam e essa garantia não é executada antes do financiamento mas no encerramento do contrato.
Isso tem permitido a todos os clubes que trabalham conosco de dispor de jogadores que não tinham capital disponível para comprar e terem ganho muito dinheiro com as transferências desses atletas muitas vezes sem terem que colocar dinheiro porque toda a transação é suportada pela Doyen. Até hoje não executamos uma garantia e isso é sintomático de que o somos um parceiro "gold" para os clubes!
Mesmo informado das declarações de Marcos Motta, membro do grupo de estudos da Fifa que aprovou a medida, dando conta de que o modelo divulgado da negociação entre Doyen e Flamengo estaria vetado pelas novas regras por incluir percentual para a empresa sobre a venda futura do atleta (no caso, Cirino), Nélio Lucas não pareceu preocupado:
- Como falei o negócio com o Flamengo a ser concluído será feito no modelo tradicional porque o negócio original (CAP-Doyen) foi feito duramente o mês de dezembro e portanto está fora do prazo em que entra a nova lei. Consideramos que podemos seguir operando com mesmo modelo talvez tendo que alterar algumas nuances.
O que fala o Dr. Marcos Motta está correto, mas como falei não se aplica nesses negócios que estamos falando. No futuro essa lei talvez nos obrigue a ser ainda mais criativos, mas sinceramente nós na Doyen não estamos preocupados com essas novas regras que, de qualquer forma, não acredito que fiquem em vigor muito tempo.
Postado por
Marcos Shin
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1415 visitas - Fonte: Ge
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