As derrotas para Coritiba e Atlético Mineiro só podem abalar o Flamengo se Oswaldo de Oliveira e os jogadores tiverem realmente entrado na bem-humorada pilha da torcida, que sonhava repetir o improvável feito do Brasileiro de 2009. A torcida acreditar, comparar, sonhar, zoar os rivais com seu cultural otimismo, ok. Mas o departamento de futebol rubro-negro deve ter a competência para saber o que houve em 2009 e, com isso, saber porque é impossível em 2015. Se fizer isso, tem plenas condições de terminar o Brasileiro em 4º lugar, talvez até em 3º, e ter um bom começo de 2016 na Libertadores.
Apenas para encerrar 2009: o Flamengo de hoje não tem um ponto de referência do nível técnico e carismático de Petkovic. O Flamengo não tem um atacante com o poder de fogo de Adriano - Guerrero é muito bom, mas é inferior tecnicament, é menos identificado com o clube. Mas, principalmente, o Flamengo de 2015 não é defensivamente o Flamengo de 2009. Não há no atual elenco um zagueiro como Ronaldo Angelim (que estava longe de ser espetacular), e mesmo David Braz, que jogou às vezes mostra hoje, no Santos, que é melhor do que tudo o que há na Gávea hoje. O time não tem hoje alguém que seja tão bom na bola aérea defensiva (e só nisso) como Aírton - tinha, Cáceres, mas não quis segurá-lo. E o time não tem uma muralha como Bruno, que não é valorizado dada a monstruosidade que o levou a ser condenado à prisão, mas sem o qual dificilmente aquele título iria para o Flamengo.
Voltando à realidade atual: se focar o G4, o Flamengo que conseguiu seis vitórias consecutivas e consistentes pode chegar a seu objetivo, porque nenhum de seus concorrrentes (Palmeiras, São Paulo, Santos e Internacional) mostra consistência e regularidade muito maiores do que o Flamengo.
Duas coisas precisam estar na agenda de Oswaldo de Oliveira para chegar lá: a primeira é injetar na corrente sanguínea de seus jogadores a segurança de um time do tamanho do Flamengo - não é possível, numa decisão, contra o Atlético, fora de casa, perder a chance de sair na frente por causa de um pênalti perdido, cobrado no canto onde Victor pega todos. A segunda: o time não sabe se proteger de bolas aéreas, e Marcelo é um jogador que não tem capacidade técnica para integrar o elenco rubro-negro - até porque, em o integrando, uma hora vai acabar entrando.
Se fizer isso, tem o Flamengo boas perspectivas para se fincar no G-4 e, por conseguinte, na Libertadores 2016.
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