É possível entender a goleada do Botafogo por diversos ângulos, tantos foram os aspectos do confronto em que os alvinegros exibiram superioridade. Da formação do elenco às opções feitas durante o jogo, há muitas formas de explicar o placar tão elástico numa partida que teve uma primeira etapa até equilibrada, antes de se transformar num monólogo futebolístico na metade final. Num momento da temporada em que o insano calendário brasileiro leva jogadores ao limite e deixa elencos dizimados por lesões, há uma reflexão a fazer. O Botafogo iniciou o jogo com Igor Jesus e Almada como titulares e, na segunda etapa, lançou Matheus Martins, Allan e Carlos Alberto. Todos chegaram – ou voltaram – ao clube na janela do meio do ano, período em que o Flamengo não contratou ninguém. Quando se fala do elenco rubro-negro, há a tendência a uma confusão. Ter em sua equipe titular alguns dos melhores jogadores do país em suas posições é diferente de ter um elenco farto o bastante para a tarefa que o clube se impõe: abraçar todas as competições deste calendário disfuncional. Quando a isso se soma uma participação tímida das jovens revelações do clube, o resultado é uma corda esticada demais. Já o Botafogo tem, hoje, mais do que um elenco robusto, resultado de um investimento generoso do dono do clube. Dinheiro é aliado obrigatório de resultados no futebol de hoje, mas há outro mérito: ter uma coerência no projeto de futebol. A busca por jogadores que unam qualidade técnica com força, velocidade e capacidade de aceleração parece ser uma regra no Botafogo atual. A imposição no clássico também foi claramente física.
Depois vem outro aspecto do confronto: as prioridades. O Botafogo tratou o clássico como uma ocasião nobre. O Flamengo, sempre que confrontado com jogos de copas, moderou forças no Campeonato Brasileiro. É quase obrigatório fazer escolhas em meio à insana maratona de partidas, mas até a Copa do Brasil já foi motivo para o Flamengo levar a campo um time fragilizado no principal campeonato do país. Por fim, vêm os aspectos táticos do jogo. Nos primeiros minutos, o alvinegro impôs alguns de seus traços: uma saída de bola capaz de atrair volantes rivais para achar espaços entre as linhas adversárias e acelerar; a capacidade de concentrar jogadores por dentro até acionar os laterais pelos lados do campo; a inversão de corredores e a coordenação de movimentos para atacar. Quase todos estes elementos apareceram no gol de Mateo Ponte, em grande passe de Marlon Freitas.




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