O primeiro Fla-Flu de 2014 marcou o encontro entre os eternos rivais após a polêmica do fim do ano passado, quando os departamentos jurídicos e até os presidentes duelaram em tribunais - mesmo que indiretamente, ou seja, como terceiros interessados no caso Héverton - e em entrevistas. Nas arquibancadas, a maioria rubro-negra provocava desde horas antes do jogo, com gritos de "vergonha" e "ão, ão, ão, segunda divisão", mas os inapeláveis 3 a 0 tricolor, com show de Conca e a marca de Walter, deixaram a minoria como dona da festa.
Após o terceiro gol do Fluminense, num lindo sem pulo de Walter - que lembrou Romário em 1994 contra a Holanda -, os tricolores voltaram aos os tempos de Thiago Neves e foram ao delírio com um funk antigo: "Créuuuuu, créuuuu", gritaram em coro os fãs do Flu, em minoria, mas felizes.
Com apenas 18 mil presentes no Maracanã, com direito a faixa da torcida rubro-negra repudiando os R$ 100 cobrados pelo preço cheio da arquibancada, mas poucas menções em cartazes ao caso Héverton, o estádio viveu clima de provocação nos gritos de torcedores desde o lado de fora. Foram poucas mensagens escritas em referência à decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que retirou quatro pontos da Portuguesa pela escalação irregular de Héverton, na última rodada. O Flamengo, aliás, também perdeu quatro pontos, mas escapou de cair para a segunda divisão. Logo no início do jogo, com o time de Jayme mais presente no ataque, a torcida do Flamengo cantava que o Fluminense era "a vergonha do Brasil".
Com o primeiro gol, os tricolores reagiram e logo lembraram que quem poderia estar na segundona eram os rivais - não fosse o erro de escalação da Lusa. Aos poucos, com a predominância em campo e com o show particular de Conca, que deu lindo drible em Wallace, no primeiro tempo, a minoria deixava os rubro-negros em silêncio. Antes até da entrada de Walter, o que por si só levou a torcida do Fluminense ao delírio, os tricolores gritavam "olé" junto com o toque de bola na defesa e tripudiavam: "Silêncio na favela".
O terceiro gol, logo do estreante Walter, deixou o lado tricolor do Maracanã em festa. No camarote, junto à comissão técnica, o presidente Peter Siemsen extravasava a emoção. Eduardo Bandeira de Mello, que antes da partida cumprimentou Zagallo, homenageado da noite, não tinha muito o que festejar. Apesar das tentativas de novos gritos de "segunda divisão", a provocação mudou de lado e a noite terminou tricolor no Maracanã.
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