Aos 89 anos e debilitada, ícone do Flamengo trava briga na Justiça por visto.

13/6/2026 18:22

Aos 89 anos e debilitada, ícone do Flamengo trava briga na Justiça por visto.

Aos 89 anos, a ex-velocista do Flamengo Érica Lopes, a Gazela Negra, enfrenta impasse judicial com a ESG para obter visto e acompanhar a filha em missão nos EUA.

Aos 89 anos e debilitada, ícone do Flamengo trava briga na Justiça por visto.
Uma das maiores lendas da história do atletismo brasileiro enfrenta a sua corrida mais ríspida e dolorosa, agora fora das pistas. Prestes a completar 90 anos, Érica Lopes, a eterna Gazela Negra, trava uma batalha jurídica complexa contra a Escola Superior de Guerra (ESG). O impasse estourou após o órgão oficial, vinculado ao Ministério de Defesa, não reconhecer a ex-velocista do Flamengo como dependente legal de sua filha, a professora concursada Érica Simone Resende. A decisão inviabiliza a concessão do passaporte e do visto diplomático necessários para que a idosa acompanhe a herdeira em uma missão docente de um ano em Washington, nos Estados Unidos.

Nos bastidores da instituição, a revolta da família é evidente. Simone foi a única professora da ESG selecionada, entre servidores de todo o Governo Federal, para integrar o corpo docente do Colégio Interamericano de Defesa. Com a viagem marcada para o próximo dia 13 de julho, o planejamento virou um campo minado. Gazela Negra sofre de diabetes severa e problemas renais crônicos, dependendo de injeções diárias de insulina e de doze medicamentos diários. Sem o amparo diplomático, restará à idosa apenas o visto de turismo, que limita a estadia na América a seis meses. A filha admite que cogita abandonar a maior oportunidade de sua carreira caso o acordo travado pela dignidade da mãe não saia do papel.

A defesa da servidora contesta a rigidez do órgão e afirma ter reunido escrituras públicas, declarações de imposto de renda e laudos médicos, além de ter conseguido a curatela protetiva da mãe. Simone aponta ainda que o decreto que rege as missões no exterior, datado de 1973, está visivelmente ultrapassado e eivado de preconceito histórico, já que permitia o embarque de empregados domésticos como dependentes, mas ignora a realidade de mães idosas aos cuidados de filhas servidoras. "Minha mãe levou a bandeira do Brasil. Agora, está sendo tratada como uma inconveniência burocrática", dispara.

Por outro lado, a Escola Superior de Guerra resolveu se manifestar e jogou a responsabilidade de volta para a funcionária. Em nota oficial enviada ao ge, o Comando da ESG confirma que emitiu um despacho cobrando documentos adicionais para comprovar a dependência econômica, mas alega que a docente preferiu judicializar o pleito antes que a sequência administrativa fosse concluída nos escritórios. Com o processo agora sob a análise da Justiça Federal, as duas partes travam um rache técnico nos tribunais enquanto o relógio corre contra o calendário da viagem, deixando o destino da multicampeã do Troféu Brasil inteiramente nas mãos de uma canetada judicial.

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