1/7/2026 20:32
De herói contra a Alemanha a criticado: a Copa de extremos de Gonzalo Plata, do Flamengo.
Gonzalo Plata retorna ao Flamengo após viver extremos na Copa do Mundo pelo Equador, variando de herói contra a Alemanha a alvo de ríspidas críticas na imprensa.
As quatro exibições de Gonzalo Plata pelo Equador na Copa do Mundo de 2026 resumem com perfeição uma trajetória marcada por extremos e forte voltagem emocional. Em questão de dias, o atacante do Flamengo cruzou a linha tênue dos vestiários: passou do pranto rústico após um empate frustrante ao posto de herói nacional com o gol da vitória sobre a Alemanha, que carimbou a vaga à segunda fase. No fim, porém, o destino humano quis que ele deixasse o torneio cercado por cobranças e duras cornetadas da imprensa local pela atuação apagada no racha que decretou a eliminação para o México.
Apesar de encerrar o Mundial no topo dos principais indicadores ofensivos de sua seleção, o atacante não conseguiu transformar o protagonismo conquistado contra os alemães em um laboratório de regularidade. O saldo é de uma Copa com um momento eterno, mas temperada pela incômoda sensação de que o ponta poderia ter entregado mais quando o país enfrentou seu maior impasse tático. O drama começou logo na estreia, com revés diante da Costa do Marfim. O cenário azedou de vez após o empate sem gols contra Curaçao, que obrigava o time a peitar os tetracampeões mundiais na rabeira da fase de grupos. Ao apito final, Plata desabou em lágrimas no gramado e precisou do amparo rústico do técnico Sebastian Beccacece.
Foi justamente quando o favoritismo estava do outro lado que o atacante do Flamengo reage de forma monumental. Contra a Alemanha, Plata chamou a responsabilidade e marcou o histórico gol da vitória por 2 a 1. A apoteose parecia desenhar um novo rumo, mas o futebol não aceita acordo travado com o passado. Contra o México, nas oitavas de final, a expectativa de que o atacante liderasse a armação ofensiva virou fumaça. Discreto e bem marcado, ele pouco produziu na derrota por 2 a 0, resultado que colocou o futuro do Equador em xeque e gerou ríspidos editoriais no jornal El Universo, que criticou sua falta de capacidade de decisão no mata-mata.
O atleta agora desfaz as malas no Rio de Janeiro carregando sentimentos opostos nos bastidores. Por um lado, o Flamengo confirma a valorização de mercado de um ativo que vazou as redes de Manuel Neuer em um torneio desse calibre. Por outro, o clube admite que o jogador volta com o peso de não sustentar o alto rendimento, um fantasma que já o assombrava no Ninho do Urubu. Os dados do Sofascore — como o segundo lugar em finalizações certas (5) e gols esperados (1,29) — atestam sua utilidade, mas o que dita o ritmo do julgamento é o imediatismo do resultado.
O grande racha que está em jogo agora envolve a comissão técnica do Flamengo. Nas últimas apresentações pelo Brasileirão, Plata vinha flertando com a apatia e o ostracismo. No início do trabalho de Leonardo Jardim, inclusive, o equatoriano foi barrado da lista de relacionados devido a problemas disciplinares extracampo, repetindo erros do período de Filipe Luís. O comandante português já avisou em coletivas anteriores que cobra empenho físico e concentração asfixiante, indicando que o atacante terá que suar o peito se quiser convencer a comissão de que pode ser regular e útil na retomada do calendário nacional.
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