27/5/2019 16:45

COMENTE: Fla ainda não tem time, nem padrão de jogo

COMENTE: Fla ainda não tem time, nem padrão de jogo

Abel Braga, técnico do Flamengo, durante partida contra o Athletico-PR no Maracanã
(Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF)


A caótica atuação do Flamengo, na heroica e arrepiante vitória sobre os reservas do Athletico-PR, em pleno Maracanã, acendeu todas as luzes de alerta na Gávea. Passados quatro meses de trabalho, o rubro-negro ainda não tem um time titular (ora entra Diego, ora Arrascaeta), nem tampouco um padrão de jogo bem definido, o que é o mais grave.



Abel chegou, no início do ano, dizendo querer um time mais "vertical", de menos posse de bola e sem toquinhos infrutíferos para os lados (característica de seus antecessores). Está a anos-luz disso e, pior, nas últimas apresentações, o controle de jogo se tornou ainda mais improdutivo. Detalhe: não fossem as atuações e os gols de Bruno Henrique (disparado, o melhor reforço do Fla), a situação poderia ser bem pior.



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A sensação que passa é que o técnico insiste em moldar os jogadores que tem ao seu estilo preferido de jogo - sabidamente de contra-ataques, com um típico camisa nove enfiado entre os zagueiros rivais. O problema é que a característica do milionário elenco à disposição no Ninho do Urubu é completamente diferente.

Gabigol não é um centroavante rompedor, longe disso; Everton Ribeiro tampouco se encaixa no estilo de puxar rápidos contra-ataques e nem Arrascaeta, nem Diego são armadores de fazer lançamentos longos, de 30, 40 metros. Para piorar, seus laterais são muito fracos e pouco ajudam no apoio ao ataque - uma grave falha na formação do elenco.

Diante do que tem (e ainda assim é um dos melhores elencos do Brasileiro), o desafio do treinador é encontrar um esquema capaz de tirar o melhor de cada um, independentemente de suas preferências táticas pessoais. Algo como fez, por exemplo, Zagallo, na mítica seleção brasileira de 70, encontrando lugares para Piazza, Tostão e Rivelino - todos escalados em posições diferentes das que normalmente ocupavam em seus clubes. E deu no que deu.

Um dos grandes adeptos da estratégia de, antes de mais nada, "fechar a casinha" (ou seja, proteger a própria baliza), nem isso Abel está conseguindo no Flamengo. Seu time toma gol em praticamente todos os jogos, vários deles com incríveis falhas (ora coletivas, ora individuais) dos zagueiros. De que adianta, então, jogar com dois volantes (o excelente Cuellar e o controvertido William Arão)?

Defendi a contratação de Abel e cheguei a pedir paciência com o seu trabalho, após os primeiros tropeços. Confesso: ainda tenho uma tênue esperança de que ele possa encontrar um caminho que o leve ao sucesso. Mas o tempo está passando, a paciência da torcida já acabou e seu cacife com os dirigentes vai ficando cada vez menor.

Na derrota para um Atlético-MG, com um jogador a menos, desde o final do primeiro tempo, e na quase tragédia diante dos reservas do Athletico-PR (que lhe teria sido fatal), o que se viu em campo foi um Flamengo perdido, sem encontrar soluções para chegar ao gol adversário, a não ser em cruzamentos altos sobre a área, e com uma defesa frágil, incapaz de neutralizar um ataque de suplentes.

Vem aí uma sequência de jogos decisiva, antes da parada para a Copa América: domingo que vem, o Fortaleza, no Engenhão; quarta-feira (o jogo mais importante) contra o Corinthians, no Maracanã, pela Copa do Brasil (um empate classifica o rubro-negro); no domingo seguinte, o Fluminense, também no Maracanã e, por fim, o CSA, na outra quarta-feira, no Mané Garrincha.

Se o Flamengo já estivesse jogando um futebol à altura de seu elenco (como faz, por exemplo, o Palmeiras) era uma sequência para somar muitos pontos e entrar na parada da Copa América em boa posição no G-4. Com o futebolzinho que o time tem jogado, entretanto, isso não é garantido.

Como já não é mais garantida a permanência de Abel, caso essa sequência não seja de sucessos e, principalmente, se houver uma desclassificação na Copa do Brasil, diante do Corinthians de Fábio Carille.

Como se sabe, é tolice esperar resultados diferentes quando se continua a fazer as mesmas coisas. Abel precisa se reinventar e mudar algo importante nesse time do Flamengo. Ou acabará ele sendo mudado.



Por quem? Esse é o grande problema...

Bola (de cristal) furada


Em seu jogo de estreia, no Vasco, Vanderlei Luxemburgo se queixou de que seu time sofreu o gol de empate do Avaí, no finalzinho da partida.

"Faltou experiência. Nos minutos finais, quando se está ganhando, não pode deixar o jogo andar. Faz falta, fura a bola!", disparou, repetindo um dos mais manjados (e idiotas) clichês do futebol.

E o que aconteceu no compromisso seguinte, contra o Fortaleza? O Vasco vencia até os últimos minutos quando... Gol do Fortaleza!

Furaram a bola. De cristal do Luxemburgo...

Flamengo, Time, Padrão, Jogo, Mengão

501 visitas - Fonte: Uol esporte






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gosto que o Abel os garotos. Precisa treinar as jogadas para quem vem do banco.

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