3/12/2018 09:32

Rondinelli relembra carreira e gol que deu título ao Flamengo

"Deus da Raça" marcou o único gol da vitória sobre o Vasco em 1978, que garantiu troféu do Campeonato Carioca ao Rubro-Negro. Conquista completa 40 anos nesta segunda-feira

Rondinelli relembra carreira e gol que deu título ao Flamengo

Rondinelli, camisa 3, marcou o gol que deu ao Flamengo o título do Carioca de 78 sobre o Vasco (Foto: Reprodução)

O relógio marcava 42 minutos do segundo tempo. No placar, 0 a 0, resultado que dava o título do Carioca de 1978 ao rival Vasco… Até que chegou Rondinelli. Zico cobrou escanteio para o Flamengo e viu o zagueiro correr em direção à área, subir mais alto que Abel e cabecear a bola para o fundo das redes do goleiro Leão. “Daqui a cinquenta anos, dirão os que viveram o grande dia: ‘Nunca o Flamengo foi tão Flamengo!’”, disse Nelson Rodrigues sobre a vitória simples, que garantiu ao Rubro-Negro seu 18º título estadual.



A famosa conquista do Campeonato Carioca completa exatos 40 anos neste 3 de dezembro de 2018. Ao LANCE!, Rondinelli, o “Deus da Raça”, relembrou sua carreira como zagueiro e o triunfo estadual - considerado por muitos como o marco zero da “Geração Zico”, a mais vitoriosa da história do Flamengo. Entre os anos de 1978 e 1983, a equipe da Gávea faturou três Brasileiros, quatro Cariocas, uma Libertadores e um Mundial.

Além do título, o antológico gol deu fim a um histórico jejum do Flamengo. Em 1978, o clube amargava cinco jogos sem marcar sobre o Vasco, a maior sequência rubro-negra sem gols no Clássico dos Milhões até os dias de hoje. Do dia 24 de abril de 1977 até o 3 de dezembro de 1978, foram quatro empates por 0 a 0 e uma vitória do Cruz-maltino por 3 a 0.

- Realmente foi um divisor de águas. Vínhamos de fases adversas, de nenhuma conquista de campeonato. Vejo (essa atribuição) de uma forma positiva em relação à liderança do nosso maior ídolo, Zico. Isso sempre contribuiu para que os jogadores chegassem ao clube e se espelhassem nessa geração enquanto profissionais. Foram grandes conquistas, o ambiente de trabalho, amizade, confiança, respeito, amor. Gratidão desde o presidente até o funcionário mais humilde do clube, que nos ensinaram a ter amor por esta sigla CRF - declarou o ex-camisa 3 da Gávea.

A conquista do Carioca ainda teve um gostinho especial para Rondinelli: além da 'redenção' rubro-negra com o fim da seca, o título marcou o triunfo da Gávea sobre uma equipe que era 'muito melhor que a nossa', na opinião do zagueiro. O plantel da Colina tinha nomes como Leão, Abel, Gaúcho e o ídolo Roberto Dinamite.



História de Rondinelli no Flamengo começa anos antes do famoso título
Muito antes da glória estadual, Antônio José Rondinelli Tobias desembarcou no Rio de Janeiro em 1968 com um 'empurrãozinho' de Velau. Por coincidências da vida, o ex-atacante do Rubro-Negro na década de 1940 montou uma oficina na cidade natal do Deus da Raça, e disse ao zagueiro que ele poderia fazer testes no clube da Gávea (Velau já tinha indicado o meia Zanata ao Flamengo).

- Cheguei à categoria de base em 1968 para fazer meu primeiro teste. Por circunstâncias da vida, ele residia em São José do Rio Pardo, minha terra natal e de meus familiares. Não é que eu não tivesse tido apoio, mas é que eu era uma criança sem experiência numa cidade grande como o Rio de Janeiro. Houve uma grande contestação do meu saudoso pai Dário. Por outro lado, houve grande apoio da minha mãe Sylvia. O grande incentivador foi mesmo meu avô Sylvio Rondinelli - completou.

O avô nasceu na Itália e era um apaixonado pelo Palestra, atual Palmeiras. O avô levava o jovem Antonio aos estádios de futebol sempre que possível. No hall de ídolos, o patriarca da família tinha Oberdan, Djalma Santos, Tupãzinho, Servílio e Ademir da Guia como estrelas principais.

Além de Sylvio, Antonio tinha o tio Vicente Rondinelli como figura dentro do meio do futebol. Vicentino, como era conhecido, começou a carreira no Fluminense e chegou a jogar no Flamengo ao lado de Fernandinho, primeiro goleiro profissional da história do Rubro-Negro.

Promovido ao grupo profissional em 1974, Rondinelli morou sob o mesmo teto que Cantarele em um pequeno apartamento alugado no bairro do Flamengo, uma experiência que marcou 'momentos de libertação e o começo da independência' da dupla no Rio de Janeiro.



- Me lembro principalmente entre os anos de 1972 e 1974, quando comecei a assumir a vaga de titular no Flamengo. Devido às conquistas do bicampeonato no juvenil, despontei e me sobressaí em jogadas, despertando olhares do técnico do time principal, Fleitas Solich, além de outros treinadores. Foi muito gratificante e prazeroso conviver com Cantarele, um baita amigo e conselheiro. Uma experiência muito valiosa para o que somos hoje - disse.

Com a vaga na zaga garantida e os desempenhos de destaque, Rondinelli foi convocado para a Seleção Brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo de 1978. Entretanto, uma lesão após seu retorno ao Flamengo quebrou a sequência titular no clube da Gávea - e ele quase foi parar no Internacional em troca de um atacante. O ex-camisa 3 contou suas motivações para reconquistar a posição no time de Claudio Coutinho, 'o grande nome' dentre os treinadores com quem trabalhou.

Postura em campo e a alcunha de "Deus da Raça"
É fácil entender de onde vem o apelido carinhoso: não faltam episódios em que o ex-camisa 3 parou as jogadas adversárias na base da garra. Na final do Campeonato Brasileiro de 1980 - o primeiro dos seis triunfos do Flamengo - , Rondinelli ficou de fora do duelo de volta contra o Atlético-MG. O motivo? Ele quebrou o maxilar no que muitos acreditam que foi uma dividida com Éder; o "Deus da Raça" revelou ao L! que, na verdade, a jogada em questão envolveu o atacante Palhinha.

- Ele me deu uma cotovelada na região do maxilar, onde tive uma fratura. Por consequência, (fiz) uma cirurgia delicada que acabou tirando a minha audição total do ouvido esquerdo. Minha esposa escreveu um bilhete, dizendo que eu estava passando bem e que os atletas jogassem por mim, mesmo eu estando hospitalizado - acrescentou Rondinelli.

O ex-jogador não nega que a raça dentro de campo foi um dos artifícios que ele encontrou para compensar pela baixa estatura. O zagueiro tem 1,76m, altura considerada abaixo da média para os atletas da posição.



- Eu era um jogador voluntarioso e com muito afinco. Não gostava de perder nem em treinos. Assim, consegui conquistar a torcida, com minha raça e coragem "suicida" para evitar qualquer gol dos adversários. Dessa forma eu compensei minha baixa estatura e minha técnica limitada - afirmou.

Em outro lance marcante, Rondinelli se viu em uma disputa de bola com Rivellino durante um Fla-Flu amistoso. Para afastar o perigo, a reflexão do zagueiro foi rápida: por que não tirar a bola do pé do meia com a cabeça? O lance gerou preocupação até mesmo no rival, que deu uma bronca no rubro-negro após a conclusão da jogada.

- Ele virou e falou exatamente “você ficou louco, garoto? Você quer que eu te arranque a cabeça?" (risos). Jamais me passou pela cabeça que me exceder em raça, vontade e determinação fosse prejudicar a minha carreira como atleta profissional. Nenhuma lesão ou contusão me assustou - relembra.



Saída do Flamengo e a ausência nos troféus de 1981

Se por um lado Rondinelli 'abriu as portas' para as conquistas de geração 1978-1983, por outro ele não participou das duas maiores delas: a Libertadores e o Mundial. Em 1981, o zagueiro deixou o Flamengo após ser negociado com o Corinthians.? De acordo com o camisa 3, a principal motivação para sua saída foi um maior interesse da Gávea em apostar em novas fichas da base.

- Não me arrependo de ter sido negociado com o Corinthians. São situações que ocorrem de interesse com os clubes. No momento, foi o melhor para mim e para ambas as equipes. À época, havia o interesse (no Flamengo) em jogadores mais novos que vinham se destacando, com condições de escrever suas histórias, feitos na base, como eu. São os casos do Figueiredo e do Mozer, por exemplo - lembrou.

A distância do grupo campeão em nada diminuiu o sentimento do zagueiro de fazer parte do caneco - e o clube também fez questão de reconhecer a importância de Rondinelli. Prova disso é que o Flamengo enviou duas faixas de campeão (tanto da Libertadores quanto do Mudial) ao camisa 3, que estão guardadas com carinho até os dias de hoje (veja na foto abaixo).



E MAIS: Diego: "As propostas chegaram, são oficiais e estão na mesa, mas o Flamengo é a prioridade"

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