25/2/2021 19:00

Em duelo entre São Paulo x Flamengo, quem mais se sente em casa é Rogério Ceni

Duas décadas depois, treinador tem chance de ser campeão no estádio onde detém recordes, mais jogou e morou por quatro anos após ser aprovado em teste em setembro de 1990. Relembre histórias

Em duelo entre São Paulo x Flamengo, quem mais se sente em casa é Rogério Ceni

O torcedor do São Paulo que não leia esse texto com animosidade, mas é difícil não dizer que se tem alguém que vai se sentir em casa no Morumbi na noite desta quinta-feira, este alguém é Rogério Ceni.



A definição vai além dos clichês relacionados a toda identificação do técnico do Flamengo com o Tricolor paulista. Antes mesmo de se tornar o M1TO para os são paulinos, Rogério tinha o estádio Cícero Pompeu de Toledo como seu lar. Foi o Morumbi que abriu as portas para os sonhos de um jovem paranaense que chegava do Mato Grosso aos 17 anos em setembro de 1990.



Em um cenário de futebol sem torcida, o conceito de jogar em casa ou fora foi abaixo no Brasileirão de 2020. Até por isso, quando sentar no banco de reservas para comandar o Flamengo que busca o título nacional, Rogério terá motivos de sobra para deixar a mente passear pelo tempo e se ver como um jovem treinador da mesma maneira que o jovem goleiro sonhou com o sucesso duas décadas atrás.


"Morei aqui dentro (do Morumbi). Foram quatro anos aqui e é sempre muito especial o carinho com que todos me tratam aqui - disse Ceni em entrevista na comemoração dos 60 anos do estádio, em outubro do ano passado".


Entre 1990 e 1994, o portão 4 do Morumbi serviu como porta de casa para Rogério, fosse nos tempos em que morava no alojamento abaixo das arquibancadas ou nas vezes em que se concentrou para jogos já como profissional. Era o pontapé inicial de uma trajetória que se confunde com o maior palco do futebol paulista.



Rogério Ceni não é somente o maior ídolo da história do São Paulo, é também quem mais atuou no Morumbi (594 vezes), quem mais venceu (375), quem mais fez jogos consecutivos (61), o quinto maior artilheiro (73 gols) e quem ainda levantou sete troféus nos tempos de goleiro. Nesta noite, tem a chance de repetir a dose pela primeira vez como treinador.



A primeira foto que se tem registro de Rogério no estádio foi tirada dois dias depois de ser aprovado pelo ex-goleiro Gilberto de Moraes em treinamento já com o profissional. O placar ao fundo informava: São Paulo x Portuguesa, em 9 de setembro, pelo Brasileirão de 1990. De sapato, calça e camisa largas, cinto, cabeludo e com o nariz inconfundível, Ceni fazia pose para comemorar sua vitória pessoal.



Destaque no Sinop, do Mato Grosso, foi indicado pelo conselheiro José Acras, e rumou para capital paulista em busca de um teste que demorou para acontecer. O próprio site do São Paulo relata que o goleiro pegou trânsito e se atrasou para o treino do dia 5, ficou a ver navios por não ter peneira no dia seguinte, até que se destacou na atividade do dia 7 de setembro de 1990.


Se fizermos força, dá para dizer que foi nesta atividade que viu seu caminho cruzar já com nomes que estão na história do Flamengo. Ceni entrou no lugar de Gilmar Rinaldi no treino, goleiro campeão brasileiro pelo clube rubro-negro em 1992, e sofreu apenas um gol: de Leonardo, lateral-esquerdo revelado e campeão nacional no clube carioca em 1987.



Aprovado para o time juvenil, Rogério se mudou para o alojamento do portão 4 do Morumbi, onde conviveu com Nelson Simões, hoje seu auxiliar técnico, e nomes conhecidos como Caio Ribeiro e Jamelli (confira relatos abaixo).


Foram quatro anos vivendo na estrutura modesta se comparada aos dias atuais, mas já valorizada pela base do São Paulo. Os beliches moldaram jovens que foram aproveitados por Telê Santana e fizeram sucesso no chamado Expressinho do time bicampeão da Libertadores e do Mundial.


No alojamento, a escada espiral chamava a atenção da garotada que carregava do próprio punho bolas e coletes no trajeto aos campos de terra para treinamentos. Fosse na sede social do São Paulo ou em espaços emprestados, como do América, o garoto já chamava a atenção por características que o acompanham até hoje: metódico, focado, determinado e obstinado.



Mais de 20 anos depois, Rogério Ceni volta para casa. Por mais que trate o palco da partida decisiva apenas como "casualidade", é difícil não se sentir no túnel do tempo. Quando a bola rolar, às 21h30 (de Brasília), para Flamengo e São Paulo, pela última rodada do Brasileirão, o técnico do Flamengo se verá com a mesma missão daquele menino do Morumbi: vencer!


Caio Ribeiro, amigo de Rogério Ceni desde os 16 anos

"Quando você sai cedo de casa, deixa seus pais, deixa sua família, como o Rogério deixou para morar no portão 4 do Morumbi, num alojamento ali embaixo da arquibancada do estádio, é porque você tem muito claro o quer da sua vida. E a vida é feita de sacrifícios. O Rogério fez muitos deles. O convívio com os amigos, novas amizades, como a nossa. Conheço o Rogério desde que tinha 16 anos.



Ele sempre foi um cara de personalidade forte. É um cara que sempre soube muito o que ele queria, e era vencer através do esporte. Mas um cara aberto para brincadeiras, que sempre aceitou esse tipo de zoação que torna o ambiente muito gostoso. Até pelo fato de morar longe, pela família estar distante, isso talvez tenha nos aproximado mais.


Rogério é um cara que, não por acaso, virou o maior nome da história do São Paulo e é merecedor de todo esse sucesso. Ele passava os fins de semana em casa ou com a Sandra, que passou a ser a esposa dele, mãe das crianças. Abria mão da bagunça... Isso não significa que não tenhamos ido para balada, aprontado um pouquinho. Mas na maioria das vezes ele ficava em casa ou voltava cedo por ter treino no dia seguinte ou jogo.


Por isso, ele é merecedor e eu fico muito feliz com todo esse sucesso que está colhendo como treinador do Mengão"


Jamelli, amigo de Rogério desde os 16 anos

"Tive uma convivência muito boa com o Rogério. Nos conhecemos desde os 15, 16 anos... Eu já estava no São Paulo quando ele chegou. Eu sou do Tatuapé, o Morumbi dá quase 40km aqui de casa, e eu tinha um quarto no Morumbi. Muitas vezes eu e o Rogério dividíamos, concentração também, muitas viagens... Antigamente, o alojamento era embaixo da arquibancada, não tinha Cotia ainda, nada. Desde moleque nos conhecemos e passamos muitas coisas juntos.



Até tem uma história que não é feliz, mas nos impactou muito. Estávamos em Albacete, na Espanha, e eu era companheiro de quarto dele. Ficamos quase 40 dias e recebemos uma notícia horrível, do falecimento da mãe do Rogério. O Telê e o Moraci me chamaram, falaram a notícia e pediram para eu conversar. Foi uma situação muito ruim, mas conversamos e ele pegou o avião em seguida para voltar ao Brasil. Ruim, mas uma situação íntima, de amigos que se conhecem desde muito jovem.


Não nos encontramos muito por conta dos trabalhos agora, mas sempre que possível nos encontramos, tomamos um café. Tínhamos muitas histórias... Na época, eu tinha um fusquinha branco, o Rogério não tinha carro ainda, e íamos ao shopping Morumbi, saíamos. Era o fusquinha com todo mundo! Depois, fomos melhorando, assinando contrato, os dois namoraram, casaram, mas o nosso contato era muito próximo. O fusquinha era famoso (risos). Ia Catê, Caio, Rogério, Juninho Paulista, Guilherme, Doriva, André Luís, Pavão... Era uma união muito grande.





Eles moravam ali na arquibancada, tinha o refeitório, o dormitório, e eu dormia esporadicamente. Eram duplas nos quartos depois do juvenil, antes era comunitário, cheio de beliches. Fazíamos tudo pelo Morumbi. O colégio deles era perto, era tudo ali. Depois, fomos para o CT da Barra Funda, que já era outra coisa, como se fosse um hotel. Era um movimento praticamente de irmão, estávamos o dia todo juntos. Passava mais tempo com o Rogério do que com minha família com certeza"

#flamengo #mengao #rubronegro #brasileirao #rogerioceni #morumbi

1086 visitas - Fonte: Globoesporte.com


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